Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Adolescentes e sono: não é preguiça, é o cérebro em transformação

“Vai dormir cedo.”
“Esse menino só quer saber de ficar acordado.”
“Na minha época isso não existia.”

Quem convive com adolescentes provavelmente já falou, ou ouviu, frases assim.

Mas o que muitas famílias não sabem é que o sono na adolescência não envolve apenas falta de rotina ou “má vontade”. Existe uma mudança biológica importante acontecendo no cérebro nessa fase da vida.

Recentemente, tive acesso a um estudo publicado no Journal of Youth and Adolescence, intitulado Psychosocial Determinants of Sleep Behavior and Healthy Sleep Among Adolescents, que traz reflexões muito importantes sobre o comportamento do sono dos adolescentes. O estudo mostra que o sono nessa fase é influenciado não apenas pelo biológico, mas também por fatores emocionais, sociais e comportamentais.

Ou seja: ambiente familiar, apoio dos pais, rotina, excesso de telas, pressão escolar e até o emocional impactam diretamente na qualidade do sono.

E isso faz muito sentido quando observamos a realidade.

Na adolescência, o cérebro passa por uma reorganização intensa. A produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono, sofre alterações, fazendo com que muitos adolescentes sintam sono mais tarde. Por isso, aquele adolescente que antes dormia cedo começa a querer ficar acordado até mais tarde naturalmente.

O problema é que a vida continua começando cedo. Escola, cursos, provas, pressão, excesso de estímulos… e um cérebro que ainda está aprendendo a se regular.

E aqui entra um ponto muito importante: o excesso de telas.

Muitos adolescentes passam horas no celular antes de dormir. O cérebro permanece acelerado, hiperestimulado e em estado de alerta. Resultado? Sono superficial, dificuldade para descansar e cansaço constante no dia seguinte.

E o impacto vai muito além do “mau humor”.

Dormir mal afeta: memória, atenção, aprendizagem, regulação emocional, tomada de decisão, ansiedade e irritabilidade. Ou seja: um adolescente privado de sono não é apenas alguém cansado. É um cérebro funcionando abaixo do necessário.

O estudo também reforça algo muito importante: o apoio familiar faz diferença. Adolescentes que possuem mais suporte emocional, rotina minimamente organizada e incentivo para hábitos saudáveis tendem a apresentar melhor qualidade de sono.

E aqui não estou falando de perfeição.

Eu sei que não é fácil. A adolescência já é uma fase intensa por si só. Muitas famílias vivem conflitos diários relacionados ao celular, horário de dormir e responsabilidades. Mas talvez a pergunta não seja “Como faço meu filho dormir cedo?”

E sim: “Como posso ajudar esse cérebro em desenvolvimento a desacelerar?”

Algumas atitudes simples ajudam muito:

* diminuir telas antes de dormir
* evitar excesso de estímulos à noite
* manter horários minimamente consistentes
* exposição à luz natural pela manhã
* atividade física
* ambiente acolhedor e menos acelerado no período noturno

E talvez uma das coisas mais importantes: observar. Porque, às vezes, aquele adolescente irritado, sem foco e desmotivado… está apenas exausto. Precisamos parar de tratar o sono como detalhe.

Sono é saúde mental.
Sono é aprendizagem.
Sono também é desenvolvimento cerebral.

E talvez nossos adolescentes não precisem apenas de mais cobranças… mas de mais compreensão sobre aquilo que está acontecendo dentro deles.

E como eu sempre digo: mentes saudáveis criam um mundo melhor.

Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.

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