Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Adultização Infantil: precisamos deixar as crianças serem crianças

Nos últimos dias, o tema da adultização infantil voltou com força ao debate público, após a denúncia feita pelo influenciador Felca. É bom ver que pessoas com alcance nacional têm usado sua voz para trazer luz a uma questão tão séria. A delegada Sheila, que diariamente alerta às famílias em suas redes sociais, também reforça esse chamado: precisamos proteger nossas crianças.

Como psicopedagoga e mãe, não posso deixar de refletir sobre o quanto a tecnologia tem antecipado fases da infância. Muitas vezes, vejo pais cedendo pelo cansaço, acreditando que o celular pode “resolver” momentos de tédio ou até conflitos. Mas é preciso ter clareza: celular não é brinquedo. TikTok não foi feito para crianças.

O desenvolvimento infantil é feito de etapas, e pular essas fases traz prejuízos sérios, tanto emocionais quanto cognitivos. Quando entregamos uma tela sem limites, não damos a chance de nossos filhos explorarem o mundo real, criarem, se movimentarem e aprenderem a lidar com o tempo e o tédio.

Claro que não é fácil, eu sei. Às vezes nossos filhos insistem até nos vencer pelo cansaço. Mas nós, como pais, precisamos lembrar: somos nós que sabemos o que é melhor para eles. Somos nós que podemos oferecer alternativas.

Como prevenir a adultização infantil?

Aqui vão algumas orientações práticas:

1- Criança menor de 10 anos não precisa de celular próprio. Isso torna muito mais difícil o controle. Se já tem, use ferramentas de proteção, como o Family Link do Google, que permite limitar o tempo de uso e até definir horários. Isso evita o desgaste de ficar discutindo a todo momento.

2- Entenda o cérebro infantil. A criança não tem noção de parar sozinha, porque o cérebro em desenvolvimento pede sempre mais dopamina. Não espere que ela consiga se autorregular sem limites claros.

3- Ofereça alternativas concretas. Invista em materiais de papelaria, jogos de tabuleiro, massinhas, tintas, miçangas, caixas de papelão. Dê à criança a oportunidade de criar, imaginar e se entreter de forma saudável.

4- Aceite a bagunça. Casa com vida e energia é uma casa com brinquedo espalhado, com tinta na mesa, com caixa de papelão virando castelo. Outro dia ouvi de uma mãe: “prefiro minha casa organizada do que bagunçada, por isso deixo meu filho no celular”. Essa é uma escolha. Mas é preciso lembrar: o preço de uma casa organizada demais pode ser uma infância roubada.

Adultizar nossas crianças é um risco real. Mas ainda há tempo de revermos nossas escolhas. O maior presente que podemos dar aos nossos filhos é permitir que vivam sua infância plenamente. Brincando, explorando, aprendendo com o mundo real, não apenas com a tela. Eu acredito que mentes saudáveis criam um mundo melhor.

Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.

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