Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

O perigo silencioso do “Tigrinho” nas famílias e entre adolescentes

Nas últimas semanas, o uso do jogo “Tigrinho” tem se tornado cada vez mais popular, não apenas entre adolescentes, mas também entre famílias inteiras. Recentemente, foi divulgado que beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões no “Tigrinho” apenas no mês de agosto. Esse dado alarmante revela que o vício no jogo já afeta profundamente muitas famílias, e esse comportamento pode facilmente refletir nos filhos, perpetuando um ciclo perigoso.

O “Tigrinho” envolve apostas online, e o fácil acesso ao jogo torna-se ainda mais preocupante, principalmente para adolescentes, que são naturalmente curiosos e suscetíveis a influências externas. A mecânica do jogo, com cores chamativas e recompensas imediatas, cria um ambiente atraente que rapidamente pode se transformar em vício. Com isso, tanto pais quanto filhos acabam presos em um ciclo de perdas financeiras e problemas emocionais.

O impacto a longo prazo desse vício pode ser devastador, especialmente para famílias que dependem de benefícios sociais. O envolvimento excessivo com o jogo prejudica o orçamento familiar, deixando de lado necessidades básicas como alimentação, educação e saúde. E, para os adolescentes, além dos problemas financeiros, o vício em apostas online pode levar à queda no desempenho escolar, problemas de saúde mental, ansiedade e depressão.

Os pais desempenham um papel crucial na prevenção desse tipo de comportamento. Além de estarem atentos aos sinais de que seus filhos possam estar envolvidos com apostas online, é importante que eles também analisem seus próprios hábitos em relação ao jogo. O vício dos adultos pode influenciar diretamente o comportamento dos adolescentes, criando um ambiente onde o jogo é visto como algo normal ou até necessário. Mudanças de comportamento, como o aumento do tempo na frente das telas, pedidos frequentes de dinheiro ou nervosismo ao falar sobre o uso do celular, são sinais de alerta que precisam ser considerados.

O diálogo aberto entre pais e filhos é essencial para evitar que o vício se estabeleça. Em vez de simplesmente proibir o uso de jogos ou tecnologia, é importante explicar as consequências desse tipo de comportamento, tanto financeiras quanto emocionais. Criar um ambiente de confiança, onde os adolescentes possam falar sobre o que estão fazendo online, sem medo de punição, ajuda a identificar problemas logo no início. Mais do que isso, é crucial que os pais ofereçam alternativas saudáveis de lazer, como esportes, atividades culturais e momentos de interação familiar.

Para famílias que já se veem presas ao ciclo do vício em apostas, tanto os pais quanto os filhos podem precisar de ajuda profissional. O apoio de um psicólogo ou terapeuta especializado em vícios pode fazer a diferença no tratamento e recuperação. Profissionais da saúde mental são treinados para lidar com casos de dependência, oferecendo suporte tanto emocional quanto prático para que as famílias consigam sair dessa situação.

Procurar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas sim de força e responsabilidade. A dependência em jogos de apostas, como o “Tigrinho”, pode ter consequências sérias e de longo prazo, e quanto mais cedo o problema for identificado e tratado, melhor será para o futuro da família.

Os prejuízos causados pelo vício em jogos como o “Tigrinho” vão além das perdas financeiras imediatas. O envolvimento excessivo com apostas pode prejudicar a saúde mental dos adolescentes e adultos, desencadeando quadros de ansiedade, depressão e até crises de pânico. A falsa sensação de controle que esses jogos criam, com a promessa de grandes ganhos “na próxima jogada”, alimenta uma ilusão perigosa que, na maioria dos casos, leva a perdas ainda maiores.

Por fim, é fundamental que as famílias reconheçam os riscos envolvidos e tomem medidas para proteger tanto os adultos quanto os adolescentes desse problema crescente. Pais e responsáveis precisam estar atentos aos sinais de vício e, quando necessário, buscar orientação profissional para ajudar a interromper o ciclo de dependência. O “Tigrinho” pode parecer um jogo inofensivo, mas os danos potenciais são enormes, afetando profundamente a vida familiar, emocional e financeira.

Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.

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