Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Costa oeste de Vitória: lugar de prosperidade

Em 1983 o cineasta e jornalista Amylton de Almeida produziu um documentário intitulado “Lugar de toda a pobreza”, sobre o bairro de São Pedro, onde ficava o lixão da cidade. A obra retratou a vida degradante de milhares de pessoas que tiravam do lixo seu sustento naquele ambiente insalubre ao extremo, infestado de ratos e urubus. O filme circulou e indignou nacionalmente, contribuindo ainda para que a Igreja Católica colocasse Vitória e o bairro de São Pedro na agenda da visita do Papa João Paulo II, realizada em outubro de 1991. O local em que o Papa desceu de helicóptero em São Pedro passou a se chamar Nova Palestina.

Em 30 anos a região se transformou. A infraestrutura básica e os serviços públicos principais de educação e saúde estão equacionados, e a região da grande São Pedro e grande Santo Antônio, com cerca de 50 mil habitantes, vive o desafio de avançar em seu desenvolvimento. Já não é mais, há algum tempo, lugar de toda pobreza, mas ainda não é lugar de prosperidade. Pode, no entanto, vir a ser.

A Costa Oeste de Vitória começa na região da Ilha do Príncipe, Rodoviária, Sambão do Povo e vai até Joana D’arc e Mangue Seco, tendo o Manguezal, o Parque da Fonte Grande e a orla da baía como fronteiras naturais.

Precisamos de um “masterplan” para a Região na forma de um PDU próprio, que comece pela economia da região, passe pela questão da mobilidade urbana e chegue em diretrizes para as edificações existentes e as novas, que defina o destino desejável para os vazios urbanos levando em conta as oportunidades de atividades econômicas potenciais a partir dos dois parques e da orla.

O Masterplan/PDU da Costa Oeste deverá partir da economia local de comércio e serviços e da realidade do mercado imobiliário existente hoje, para avaliar as oportunidades de expansão com qualificação crescente do território; a reurbanização e integração da orla desde a Rodoviária até São Pedro; a reestruturação do sistema viário e do transporte público começando pela Avenida Serafim Derenzi, que deveria ter galerias técnicas para eliminar os postes e a fiação aérea; incentivos para projetos estruturantes como um Shopping Center, verticalização ordenada, novos condomínios, a extensão do modal aquaviário e novas linhas circulares tronco-alimentadoras do sistema TRANSCOL. Esses são alguns dos temas a serem tratados no Masterplan/PDU da Costa Oeste.

Essa metodologia inovadora de fazer o planejamento estratégico da cidade associado ao PDU de forma descentralizada regionalmente deveria ser estendida a todas as regiões, depois de implantada na Costa Oeste.

A Costa Oeste de Vitória nos oferece uma oportunidade única para redefinir o padrão de diálogo e governança entre as políticas públicas urbanas e as forças de mercado, na medida em que a cidade compreenda e assuma que a agenda não é mais o enfrentamento da pobreza extrema, mas a construção de prosperidade a partir dos ativos e potencialidades existentes.

Os empreendedores de São Pedro possuem um ambiente regulatório mais flexível de uso e ocupação do solo do que nas regiões mais valorizadas da cidade, na medida em que foram as invasões de morros e mangues a sua origem.

Aproveitar o dinamismo existente e promover intervenções urbanas que o potencializem, cuidando para que o desenvolvimento e o crescimento da ocupação futura sejam ordenados no sentido da qualificação e valorização territorial é o desafio que se coloca.

Alguns empresários visionários do nosso Estado, como Chrisógono Cruz e Américo Buaiz, além de um grupo de professores da UFES, se apaixonaram nos anos 60 pela natureza e pela paisagem da Costa Oeste de Vitória e fizeram investimentos, adquirindo áreas na região antes das invasões. Nos últimos 40 anos, o poder público, nos três níveis, mas principalmente a PMV, atuaram fortemente no sentido de enfrentar o déficit de infraestrutura urbana e dignidade humana existentes em São Pedro.

Agora o desafio é diferente e mais desafiador porque depende de ação pactuada entre as forças de mercado e as políticas públicas.

O desafio é a prosperidade e o sucesso do lugar!

Luiz Paulo Vellozo Lucas
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Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.

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