A palavra persistente vem do latim persistere, formada por per, no sentido de “até o fim”, e sistere, que significa “permanecer firme, ficar de pé”. Em uma tradução livre, poderíamos dizer que persistir é continuar com firmeza. Perseverante, tenaz, constante e obstinado são alguns dos termos que costumamos associar a essa característica.
Desde a Antiguidade, filósofos refletiram sobre a importância da perseverança. Aristóteles, ao tratar das virtudes, destacava o valor da constância e do esforço orientado por um propósito. No mundo empresarial, nós, empreendedores, aprendemos algo semelhante: persistência é continuar buscando o objetivo, mesmo quando os obstáculos parecem maiores do que imaginávamos.
Mas existe uma diferença fundamental entre persistência e teimosia.
Durante os anos em que atuei como instrutor do Empretec, workshop desenvolvido pela ONU e realizado no Brasil pelo Sebrae, costumava dizer aos empresários: “A teimosia é o lado obscuro da força da persistência.”
O persistente não abandona facilmente seu objetivo, mas é capaz de mudar a estratégia para alcançá-lo. O teimoso, ao contrário, continua repetindo as mesmas ações, mesmo depois de todas as evidências mostrarem que aquele caminho não está funcionando. Persistir não significa bater eternamente na mesma porta. Às vezes significa procurar outra porta, outra janela ou até construir uma nova entrada.
Um belo exemplo é o de Ronaldo Fenômeno. Depois de gravíssimas lesões no joelho, sua carreira chegou a ser colocada em dúvida. Alguns médicos chegaram a dizer que ele teria dificuldades para andar. Foram cirurgias, meses de recuperação, 10 horas diárias de fisioterapia e enorme esforço físico e emocional. Muitos não acreditavam que voltaria a jogar futebol no mais alto nível. Ele voltou. Na Copa do Mundo de 2002, marcou oito gols, foi artilheiro do torneio e protagonista do pentacampeonato brasileiro.
Thomas Edison, responsável pelo aperfeiçoamento e pela viabilização comercial da lâmpada elétrica, tornou-se também símbolo da perseverança. Uma frase frequentemente associada a ele resume bem esse espírito: “Eu não falhei. Apenas encontrei milhares de maneiras que não funcionaram.” O número exato é menos importante do que a mensagem: cada tentativa malsucedida pode ensinar alguma coisa sobre a próxima.
A sabedoria popular ensina que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. O cantor Raul Seixas transformou ideia semelhante em um convite simples e poderoso: “Tente outra vez.”
A psicologia também estuda a persistência como uma característica comportamental relacionada à capacidade de manter esforço, motivação e direção diante de dificuldades, demora nas recompensas e frustrações. Pessoas persistentes não são aquelas que nunca sentem medo, cansaço ou vontade de desistir. São aquelas capazes de continuar apesar desses sentimentos, especialmente quando enxergam significado naquilo que estão buscando.
Também é importante diferenciar persistência de resiliência. Persistência é continuar caminhando em direção ao objetivo. Resiliência é conseguir se recompor depois de uma derrota, de uma crise ou de um fracasso, aprendendo com a experiência e encontrando forças para recomeçar. Na vida, precisamos das duas.
Talvez as maiores realizações pessoais e profissionais não sejam consequência apenas de talento, inteligência ou sorte. Muitas vezes pertencem àqueles que permanecem tentando por mais tempo — aprendendo, corrigindo a rota e recomeçando.
Então, fica uma provocação: que tal definir metas ousadas para sua vida pessoal e profissional, manter o foco nesses objetivos, aprender com os erros, mudar de estratégia quando necessário e não desanimar diante dos obstáculos?
Se você conseguir fazer isso, poderá dizer com propriedade: eu sou persistente.









