Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.
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Qual é a sua atitude perante a morte?

Nos últimos dias, algumas pessoas do meu círculo de relacionamento faleceram. Isso me fez perceber como a morte impacta cada ser humano de maneira diferente. Para alguns, ela é encarada como um processo natural da existência. Para outros, representa uma dor quase insuportável, seja pela perda de alguém amado, seja pelo medo da própria finitude. Essa reflexão me motivou a escrever sobre um tema que, apesar de inevitável, ainda é cercado de silêncio, medo e muitas perguntas.

A palavra morte deriva do latim mortis, significando “morrer”. Nos dicionários, é definida como falecimento ou cessação da vida. Já a medicina considera a morte como a perda irreversível das funções cerebrais — a chamada morte encefálica — ou da atividade cardiorrespiratória, levando ao fim das funções vitais e, posteriormente, à decomposição do organismo.

Mas será que a morte é apenas um fenômeno biológico?

A filosofia nos lembra que a única certeza da vida é justamente a sua finitude. Para Sócrates e Platão, a morte representa a separação da alma em relação ao corpo. Como engenheiro, gosto de fazer uma analogia: imagino o corpo como o hardware de um computador e a alma como o software, cuja essência permanece armazenada “nas nuvens”. É apenas uma metáfora, mas que ajuda a ilustrar uma das muitas formas de compreender esse mistério.

A maneira como encaramos a morte depende profundamente da cultura, da espiritualidade e das experiências de cada pessoa. Enquanto a ciência, em geral, limita-se a estudar seus aspectos biológicos, diversas tradições religiosas e espirituais a entendem como uma passagem, uma transformação ou o início de uma nova existência.

O terapeuta e teólogo francês Jean-Yves Leloup, em sua obra Além da Luz e da Sombra, propõe que viver e morrer fazem parte do mesmo aprendizado. Para ele, aceitar a morte também significa aprender a viver plenamente, libertando-se do excesso de apego e do medo que tantas vezes limita nossa existência.

Na tradição hindu, a morte representa uma transição para outra etapa da jornada da alma, influenciada pelos atos praticados ao longo da vida. No cristianismo, ela não é considerada o fim, mas o início da vida eterna. Jesus afirmou em João 11:25: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá.” Essa talvez seja uma das maiores mensagens de esperança já transmitidas.

O psiquiatra Viktor Frankl, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, ensinava que quem encontra sentido para viver também encontra serenidade para enfrentar a morte.

Existem também debates contemporâneos, como a morte assistida, permitida em países como a Suíça, em situações muito específicas e sob rigorosos critérios médicos e legais. Trata-se de um tema complexo, que desperta profundas discussões éticas, jurídicas e religiosas, mostrando que a forma de compreender a morte continua evoluindo na sociedade.

Médicos geriatras e profissionais que acompanham pacientes em seus últimos dias costumam relatar algo curioso: muitas pessoas não se arrependem tanto dos erros que cometeram, mas principalmente daquilo que deixaram de fazer. Dos sonhos adiados, dos abraços não dados, dos pedidos de perdão que nunca aconteceram e das oportunidades desperdiçadas. Talvez esse seja um dos maiores ensinamentos da morte: lembrar-nos de viver enquanto ainda há tempo.

Recentemente estive em Lisboa, hospedado próximo à Praça do Marquês de Pombal. Foi impossível não recordar o grande terremoto de 1755, que devastou a cidade. Naquele momento de caos, ficou célebre a frase atribuída ao Marquês de Pombal: “Enterrem os mortos e cuidem dos vivos.” A mensagem permanece atual. O luto merece respeito, mas a vida continua exigindo nossa responsabilidade, nosso amor e nosso cuidado com aqueles que permanecem ao nosso lado.

No meu caso pessoal, já enfrentei a perda de familiares e de muitos amigos. Hoje, aos setenta anos, reconheço que a morte faz parte da própria existência. Não significa que eu queira partir agora. Muito pelo contrário. Quero viver muitos anos, se Deus assim permitir, continuar aprendendo, convivendo com minha família, realizando projetos e ajudando pessoas. Mas também posso afirmar, com profunda gratidão, que tive o privilégio de viver intensamente e experimentar muito mais do que imaginei quando era jovem.

Cada pessoa encara a morte conforme sua fé, sua história e seu momento psicológico. Não existe uma única resposta. Talvez exista apenas uma grande oportunidade de reflexão.

Por isso, deixo duas perguntas para você:

Como você reage diante da morte de alguém que ama?

E, sabendo que a morte física é inevitável, que escolhas você pretende fazer hoje para que, quando esse momento chegar, possa olhar para sua trajetória com serenidade, gratidão e a sensação de que valeu a pena ter vivido?

 

Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.

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