Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Por que o sucesso alheio incomoda algumas pessoas?

O que é sucesso? Para alguns, significa riqueza. Para outros, reconhecimento profissional, realização familiar, conquistas esportivas ou simplesmente viver a vida que sempre sonharam. O sucesso é um conceito subjetivo, mas existe algo em comum entre todas as suas formas: ele costuma despertar admiração em algumas pessoas e incômodo em outras.

A explicação para isso está na própria natureza humana. Quando alguém alcança uma conquista relevante, seu sucesso funciona como um espelho. Ele nos obriga, consciente ou inconscientemente, a comparar nossa própria trajetória com a trajetória daquela pessoa. E é justamente nessa comparação que surgem perguntas desconfortáveis: “Por que ele conseguiu e eu não?” ou “O que faltou para mim?”.

Essa reflexão pode despertar sentimentos como frustração, insegurança, medo e insatisfação. Em muitos casos, para proteger o próprio ego, torna-se mais fácil atribuir o sucesso alheio à sorte, ao acaso ou até mesmo à desonestidade do que reconhecer o esforço, a disciplina e a persistência que normalmente estão por trás das grandes realizações.

O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt costumava responder ao apelido de “Mão Santa” com uma frase marcante: “Não é mão santa, é mão treinada”. O mesmo acontecia com o jogador Zico. Quando os torcedores viam a bola entrar na gaveta em suas cobranças de falta, enxergavam talento. Poucos viam as centenas de repetições realizadas após cada treinamento. O sucesso raramente é fruto de um momento; quase sempre é resultado de milhares de momentos de dedicação.

A psicologia explica esse comportamento por meio de diversos conceitos, entre eles a chamada Síndrome de Procusto. Inspirada na mitologia grega, ela faz referência a Procusto, um personagem que não tolerava diferenças. Hoje, a expressão descreve pessoas que tentam diminuir, sabotar ou desqualificar quem se destaca, simplesmente porque não suportam ver alguém superar seus próprios limites.

Não é difícil encontrar exemplos. Atletas como Neymar, empresários como Elon Musk, artistas, políticos e influenciadores frequentemente são alvo de críticas que vão muito além de suas ações. Muitas vezes, a rejeição não está relacionada apenas às suas opiniões ou comportamentos, mas ao fato de representarem sucesso, riqueza, fama ou influência. Em tempos de polarização política, isso se torna ainda mais evidente. Há quem comemore dificuldades enfrentadas por determinados empresários ou artistas apenas porque eles representam ideias diferentes das suas. Em alguns casos, a divergência ideológica existe; em outros, o sentimento predominante pode ser a inveja.

O escritor Zuenir Ventura definiu esse sentimento com precisão: “A inveja não é você querer o que o outro tem, mas querer que ele não tenha”. Já o filósofo Sócrates afirmava que “a inveja é a úlcera da alma”. O escritor francês Honoré de Balzac foi ainda mais duro: “A inveja é o mais estúpido dos vícios, pois não há uma única vantagem obtida dela”.

Existe uma frase popular atribuída ao poeta e escritor Machado de Assis que resume bem essa realidade: “A inveja é o aplauso dos medíocres”. Embora a frase seja controversa quanto à autoria, sua mensagem permanece atual. O sucesso alheio incomoda porque revela possibilidades. Mostra que alguém sonhou, acreditou, trabalhou e realizou.

Talvez a melhor atitude diante do sucesso dos outros seja transformá-lo em inspiração. Afinal, admirar quem venceu não diminui nossas próprias chances de vencer. Pelo contrário: quem aprende com os exemplos de sucesso encontra mais motivos para crescer. Já quem se dedica a combater o brilho dos outros geralmente acaba apagando a própria luz.

O sucesso de alguém não reduz as oportunidades dos demais. Mas a inveja, a amargura e o ressentimento podem reduzir drasticamente as oportunidades de quem os cultiva.

Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários
  1. É inevitável que o sucesso de alguém nos toque de alguma forma. Às vezes inspira, às vezes incomoda. Mas quando entendemos que toda conquista carrega esforço, renúncias e tempo, passamos a olhar com mais respeito do que julgamento. E talvez aí esteja o verdadeiro crescimento: transformar incômodo em inspiração.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas

[the_ad_group id="63695"]