O Brasil naturalizou um problema grave: rodovias precárias. O que deveria ser prioridade estratégica virou rotina de abandono. Hoje, mais de 60% das estradas federais estão em condição regular, ruim ou péssima. Não se trata apenas de um problema de engenharia — é um fator direto de perda de competitividade, aumento de custos e travamento do crescimento econômico.
A conta é objetiva. Estradas ruins elevam o custo do frete, aumentam o consumo de combustível, aceleram o desgaste de veículos e ampliam o risco de acidentes. No fim da cadeia, quem paga é a sociedade: o produtor, o empresário e o consumidor.
O país possui cerca de 65,7 mil quilômetros de rodovias federais. Mesmo com o avanço das concessões, mais de 42 mil quilômetros continuarão sob responsabilidade direta do poder público. E são exatamente esses trechos que concentram os maiores problemas de conservação e capacidade.
O desafio não é desconhecido — é negligenciado. O Brasil precisa de pelo menos R$ 15 bilhões por ano para manter e recuperar sua malha rodoviária, além de outros R$ 15 bilhões para ampliar e duplicar trechos saturados. O investimento atual está muito aquém disso. O resultado é previsível: deterioração contínua e aumento do custo Brasil.
Nas regiões Norte e Nordeste, o cenário é ainda mais grave. Cerca de 73% das rodovias apresentam condições insatisfatórias, enquanto quase 500 mil quilômetros de estradas seguem sem pavimentação. Isso não é apenas um problema de logística — é um entrave ao desenvolvimento regional e à integração nacional.
O Espírito Santo, nesse contexto, mostra que é possível fazer diferente — mas também expõe os limites do esforço isolado. O estado tem liderado o país em investimento público, destinando percentuais próximos a 9% da receita para obras e infraestrutura. Ainda assim, convive com gargalos logísticos relevantes e uma malha que exige manutenção constante e ampliação. O recado é claro: mesmo quem investe acima da média não resolve o problema sozinho.
O ponto central é que o Brasil não sofre por falta de diagnóstico, mas por falta de decisão. A queda histórica dos investimentos federais em infraestrutura não foi revertida na escala necessária. E, sem escala, não há solução.
O próximo governo estadual e, sobretudo, o governo federal não terão espaço para discursos genéricos. Será preciso enfrentar o problema com prioridade real, recompor investimentos e estruturar modelos eficientes de concessão e parceria com a iniciativa privada. Mais do que isso: será necessário garantir segurança jurídica e previsibilidade — condições básicas para atrair capital e executar projetos.
A deterioração das rodovias não é neutra. Ela encarece o país, reduz sua competitividade e limita seu potencial de crescimento. Ignorar esse cenário não é mais uma opção. A infraestrutura brasileira chegou ao limite — e a resposta terá que vir agora.









