O debate sobre mobilidade urbana em Vitória não parte do zero. O município já deu passos importantes ao iniciar a implantação de soluções viárias em desnível, como o mergulhão de Jardim Camburi, além de estruturas dedicadas a pedestres e ciclistas sobre o canal na região de São Pedro e ao longo do Canal de Camburi.
Essas intervenções avançando para o Mar representam um avanço claro na organização dos fluxos urbanos. Ao separar movimentos e priorizar a segurança de quem circula a pé ou de bicicleta, a cidade melhora a conectividade, reduz conflitos e estimula formas mais sustentáveis de deslocamento.
No entanto, é preciso reconhecer um dado incontornável: o crescimento da frota de veículos é exponencial. Mesmo com investimentos relevantes em ciclovias, passarelas e travessias qualificadas, a pressão sobre os eixos viários principais continua aumentando. Em uma cidade-ilha, com poucas alternativas de circulação, essa equação se torna ainda mais crítica.
As obras já iniciadas irão mostrar que passagens em desnível funcionam. Elas reduzem interferências, organizam fluxos e aumentam a capacidade do sistema viário sem a necessidade de ampliar vias ou ocupar novas áreas. O desafio agora é ampliar essa lógica para os principais corredores de tráfego, especialmente onde os cruzamentos em nível ainda impõem gargalos recorrentes.
É nesse ponto que o debate precisa amadurecer. A mobilidade ativa é fundamental e deve continuar sendo incentivada, mas ela não elimina a necessidade de soluções estruturantes para o tráfego de veículos. O sistema viário precisa responder à realidade atual e futura da cidade, sob pena de operar permanentemente no limite.
Vitória já deu o primeiro passo. O momento agora é de consolidar uma política de mobilidade que combine infraestrutura para pedestres e ciclistas com viadutos, elevados e passagens em desnível nos eixos estratégicos. Só assim será possível garantir fluidez, segurança e qualidade de vida em uma cidade que cresce, mas não pode se expandir e é o principal eixo de ligação entre os municípios da grande Vitória .
A cidade mostrou que é capaz de avançar. O que se espera é que esse movimento não pare — porque o trânsito não espera.
José Carlos Chamon
Sócio da empresa RDJ engenharia Ltda.
Membro do Conselho Infraestrutura da Findes
Conselho da Brasinfra
Ex-presidente do Sindicato da Construção Pesada – Sindicopes
Ex-diretor obras públicas do Sinduscon









