Estamos saindo de eleições muito especiais no Brasil e no Espírito Santo. As disputas nacionais, e seus desdobramentos regionais, foram regidos pelo desejo dos eleitores de dar uma resposta aos desmandos visíveis do STF, no primeiro turno. O raciocínio é simples: já que não podemos votar em ministro do Supremo, vamos votar em quem pode mexer nesse grande vespeiro nacional. Daí termos um senado mais conservador.
Assim, os candidatos que vocalizaram esse sentimento popular foram muito bem-sucedidos nas urnas. Isso explica o enorme sucesso eleitoral do PL, o partido político que mais elegeu senadores em todo o Brasil, e explica também a ascensão de governadores de posições conservadoras na maioria dos estados. Esse enfrentamento fez do parlamento brasileiro um lugar muito mais conservador do que nas legislaturas anteriores. Paradoxalmente o Supremo ajudou o crescimento da nossa direita.
No caso do Espírito Santo, também creio que o fator STF nas eleições ajuda a compreender o enorme sucesso de alguns dos nossos principais fenômenos eleitorais. O jovem deputado federal do PL, Lucas Polese, teve a maior votação eleitoral deste ano; é um fenômeno político.
Maguinha Malta teve desempenho extraordinário nas urnas, e Evair de Melo disputou palmo a palmo a liderança para o Senado com o ex-governador Renato Casagrande, que sempre foi tido como o mais votado do estado, de fato foi, mas com votação menor do que a esperada. Ao final do processo, são senadores com a mesma estatura eleitoral. Fator surpresa também.
Mas o caso capixaba revela também outro elemento que está presente nas eleições e que é tão comum aos processos políticos: o desejo de renovar as elites locais. O primeiro sintoma disso é a votação extraordinária do ex-prefeito Pazolini, que, por muito pouco, não venceu no primeiro turno, mas o fez no segundo, embora por margem mais apertada do que a expectativa geral. Repetindo o que havia acontecido nas eleições municipais, o eleitor capixaba quer experimentar o novo, os jovens na política.
Assim, creio que o desempenho geral dos candidatos, e em especial o de Pazolini, associa essas duas dimensões: o desejo de renovação geracional e a de dar uma direção mais à direita à sociedade brasileira. Também vale destacar que o embate, somado ao desejo de renovação, também se dá na renovação dos quadros de esquerda. A jovem e combativa deputada Camila Valadão foi a mais votada em 2026, com uma expressão eleitoral que surpreendeu a todos. Aliás, a bancada de esquerda tem agora mais duas mulheres igualmente combativas, e ambas do PT: Karla Coser e Açucena, até então vereadora de oposição ao prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio.
Renovação das elites e combate ao STF, com afirmação de uma nova direita, foram as grandes marcas da eleição. Só a experiência e o sucesso de gestões não bastam; é preciso convencer os eleitores de que eles têm um porta-voz de seus anseios de mudança. Para concluir, não posso deixar de chamar a atenção para a importância das redes sociais. Os campões nacionais de votos, como Nikolas Ferreira e Lucas Polese, têm destaque nas redes, onde hospedam suas plataformas eleitorais.
O desejo de renovação não se deu no plano nacional, talvez porque Flávio Bolsonaro não tenha passado a maioria dos eleitores a confiança necessária para receber os seus votos. Seus processos tumultuados na confusa política do Rio de Janeiro ou suas relações com as milícias certamente influenciaram o julgamento.
O fato concreto é que os brasileiros, mesmo reconhecendo as fragilidades do governo Lula, optaram por não mudar, por não correr riscos.









