O Espírito Santo convive, desde os idos de quinta-feira (6), com a situação bombástica envolvendo a Apex Partners, plataforma de investimentos que ganhou projeção nacional e tem origem no Estado. Os holofotes ficam ainda mais acesos pelo fato de o grupo envolver Pedro Chieppe e Victor Casagrande, filhos, respectivamente, do governador Ricardo Ferraço (MDB) e do ex-governador Renato Casagrande (PSB).
Diversas narrativas já apareceram ao longo dos últimos dias. Uma das mais criativas foi a expressão “Master Capixaba”, numa conexão com o famoso caso do Banco Master, que implodiu no meio da política brasileira.
Chama a atenção, em toda essa história, o tamanho do rombo, com uma dívida de quase R$ 1 bilhão, conforme consta em decisão judicial na qual o Judiciário concedeu prazo de 30 dias para a apresentação do pedido de recuperação judicial.
Tendo isso como pano de fundo, já era sabido que a Apex mantinha relações com o poder público, o que levou o governo estadual a emitir nota afirmando, de forma peremptória, que não há recursos públicos do Estado do Espírito Santo investidos na empresa, seja por meio do Tesouro Estadual, seja pelas contas do Fundo Soberano do Estado (Funses).
Mas o problema disso tudo, para o lado governista, é a presença de parentes tão próximos de quem comandou e de quem comanda o Estado. No meio político, isso já suscita dúvidas, o que é ruim.
Obviamente, filhos têm caminhos diferentes dos pais, como ocorre também no caso dos políticos, mas há um possível arranhão de imagem diante de um problema dessa magnitude.
Assim sendo, a ala governista deverá estar muito atenta aos possíveis desdobramentos negativos dessa história. O eleitor brasileiro, de um modo geral, acaba sendo conivente com diversos tipos de maus comportamentos, como a traição, que alguns chegam até a exaltar, de forma machista. Porém, quando o assunto envolve suspeitas de corrupção, a tolerância costuma ser bem menor.
Os desdobramentos desse caso são diversos, e adversários de Ricardo e Casagrande já começam a explorar politicamente o episódio. Caberá ao Palácio Anchieta trabalhar para que uma crise de natureza privada não venha a se transformar também em um problema de ordem pública — e, principalmente, política.










