As repercussões do escândalo que envolve a Apex Partners atingiram em cheio o mercado nacional e provocaram as primeiras grandes barreiras de liquidez para investidores.
Após o anúncio do distrato com o Banco BTG Pactual e da revelação de graves inconsistências financeiras — que culminaram no afastamento do presidente Fernando Antonio Kulnig Cinelli e do diretor financeiro Eduardo Siqueira —, novos desdobramentos atingem a governança de grandes companhias e a gestão de ativos no país.
No âmbito dos fundos de investimento, o impacto imediato atingiu o BRM Carbyne Crédito Estruturado FIC FIDC. O BTG Pactual, na condição de administrador do veículo, suspendeu formalmente todos os resgates do fundo.
A medida foi tomada devido à incompatibilidade direta entre a liquidez dos ativos da carteira e a forte corrida de saques iniciada pelos cotistas.
| Indicador | Dado Oficial do Fundo |
| Fundo Afetado | BRM Carbyne Crédito Estruturado FIC FIDC |
| Medida Adotada | Suspensão total de resgates (Bloqueio de liquidez) |
| Cotistas Atingidos | 909 investidores |
| Patrimônio Líquido | R$ 160,5 milhões |
| Motivação | Corrida de saques após crise na gestora Carbyne (ligada à Apex) |
Afastamentos e renúncia
Em comunicado oficial ao mercado a Apex Partners a existência de graves “inconsistências financeiras” e anunciou o afastamento sumário do seu presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli. O Conselho de Administração também removeu imediatamente de suas funções o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, e anunciou que a presidência passa a ser exercida interinamente por Marcelo Murad, sócio sênior da casa com mais de 25 anos de atuação no mercado financeiro.
Em comunicado oficial ao mercado, a CVC Corp informou que Fernando Antonio Kulnig Cinelli pediu renúncia do cargo de membro do Conselho de Administração da companhia.
O documento é assinado por Felipe Gomes, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da operadora de viagens. De acordo com a nota, a cadeira do executivo no conselho permanecerá vaga até a nomeação de um substituto pelo órgão de administração.
Em nota “o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade”.
Ligação com securitizadora capixaba
Para compreender a amplitude da distribuição das soluções financeiras do grupo, a dinâmica de mercado envolve também atores locais independentes. É o caso do Grupo Rhino, securitizadora capixaba, cuja Apex Partners atua no ecossistema regional como a principal distribuidora e comercializadora das soluções financeiras no mercado.
Em resposta aos questionamentos, o Rhino Grupo informou que presta serviços de estruturação e emissão de operações de securitização para a Apex Partners, relação que, segundo a empresa, também resulta em sua posição como credor.
A empresa afirmou que acompanha os desdobramentos do caso e que adotará as medidas necessárias para tentar recuperar os valores e proteger os interesses dos titulares dos títulos, na condição de credores da Apex Partners.
O Rhino Grupo também ressaltou que as demais operações da empresa são segregadas dessa relação e, segundo a companhia, seguem funcionando normalmente, sem impactos nos compromissos assumidos com clientes e parceiros.
A empresa informou ainda que atua há mais de cinco anos na estruturação de operações de securitização, possui autorização e é fiscalizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o grupo, suas contas também passam por auditoria externa independente todos os anos.
A crise acende o alerta sobre o alcance das operações e das carteiras de clientes pulverizadas no Espírito Santo.
Relembre o Caso: Do “Master Capixaba” ao distrato
A crise ganhou espaço após apurações apontarem indícios de inconsistências contábeis e operacionais no Grupo Apex, classificadas no mercado como uma espécie de “Compliance Zero” capixaba.
Ocorrência Operacional: Falhas de transparência e retenção de informações estratégicas que não eram repassadas ao Conselho de Administração.
Medida da CVM: Identificação de indícios de descumprimento das normas regulatórias da Comissão de Valores Mobiliários na prestação de serviços da DRM Apex Investimentos.
Afastamento e Rescisão: Destituição do comando da empresa, contratação de auditoria externa para apuração cível e criminal, e encerramento compulsório do contrato de distribuição por parte do BTG Pactual.
Com 100% dos recursos em títulos públicos preservados no extrato do BTG Pactual, a atenção dos órgãos reguladores e dos investidores volta-se agora para a liquidez dos fundos geridos pela estrutura da Apex e suas investidas.










