A poucos dias dos ajustes finais das chapas majoritárias, o mundo político do Espírito Santo vive uma confusão generalizada nos principais polos da disputa, especialmente na corrida pelo governo do Estado.
Se, pelo lado do ex-prefeito da Capital Lorenzo Pazolini (Republicanos), persiste a indefinição sobre o apoio do PSD após a aliança com o PL, pelas bandas do governador Ricardo Ferraço (MDB) criou-se um mal-estar generalizado com a federação União Progressista depois que prefeitos, liderados por Enivaldo dos Anjos (PSB), de Barra de São Francisco, e Euclério Sampaio (MDB), declararam apoio para que Sergio Vidigal (PDT) pudesse ser o escolhido para ocupar a vaga de vice na chapa de reeleição.
Não é de hoje que a federação, cujas principais lideranças são Da Vitória (Progressistas) e Marcelo Santos (União Brasil), pleiteia um espaço de destaque na majoritária. O alvo inicial era o Senado, mas, como a fatura política ficou alta demais, a ponto de não haver segurança de vitória, a vaga de vice passou a ser vista como um caminho mais palpável.
Há dois lados nessa moeda. A federação argumenta que nenhum de seus pré-candidatos a deputado federal pode deixar a chapa, o que reduz o leque de nomes disponíveis para compor a majoritária governista. Por outro lado, entre interlocutores, há a avaliação de que o grupo de Ricardo criou uma confusão desnecessária justamente num momento em que o emedebista apresenta crescimento nos indicadores de intenção de voto, maior coesão política e recall cada vez mais consolidado por estar no exercício do governo.
Mas não se pode ignorar a força da federação. O grupo reúne tempo de propaganda, recursos financeiros e lideranças com capilaridade política. Um eventual caminho de independência ou até mesmo de adesão à campanha de Pazolini representaria um duro golpe para o projeto governista. Não foi por acaso que Da Vitória e Marcelo Santos se reuniram, nesta segunda-feira (27), com um companheiro de longa data, o deputado federal Evair de Melo (Republicanos). O encontro serviu para passar um recado. Evair, como se sabe, está ao lado do ex-prefeito da Capital desde os primeiros movimentos da pré-campanha.
É interessante notar que, às vésperas do encerramento das convenções, marcado para o próximo dia 5 de agosto, justamente quando ocorrerão as convenções da federação União Progressista e do MDB, o cenário ainda é de grande incerteza. Principalmente em um momento no qual boa parte da estrutura de campanha, como a produção de materiais e a divisão dos feudos eleitorais, já deveria estar encaminhada.
Querendo ou não, o fim do revezamento entre os ex-governadores Paulo Hartung (PSD) e Renato Casagrande (PSB) no comando do Estado, ainda que ambos mantenham forte influência sobre o processo eleitoral, criou um ambiente de maior instabilidade. Isso leva cada ator político a reforçar seus próprios interesses e ampliar seu poder de barganha.
Em poucos dias, os principais envolvidos terão tarefas hercúleas pela frente. E são decisões que podem fazer toda a diferença na eleição. Usando mais uma vez a canção de forró “A Natureza das Coisas”, de Flávio José, “amanhã tudo pode acontecer, inclusive nada”. Caberá ao tempo e às alianças políticas dar essa resposta.










