Bastidores apontam cópia de modelo mineiro unindo PL e UP com Lorenzo Pazolini

As movimentações que antecedem o prazo final das convenções partidárias no Espírito Santo ganharam contornos de alta volatilidade. Nos bastidores da política capixaba, o desgaste progressivo da relação entre o MDB do governador e pré-candidato Ricardo Ferraço e as siglas que compõem a federação União Progressista (UP) acendeu o sinal de alerta no Palácio Anchieta. A eventual ruptura abre caminho para a reprodução do desenho tático visto no estado vizinho de Minas Gerais, onde articulações nacionais costuraram o alinhamento estratégico entre PL, Republicanos e Progressistas (PP).

Espelho Mineiro: como o acordo de MG impacta a política capixaba

A engenharia partidária implementada no cenário mineiro serve como mapa de navegação para os dirigentes da direita no Espírito Santo. Em Minas Gerais, a cúpula do Republicanos recuou da pré-candidatura do senador Cleitinho ao governo estadual para marchar com o indicado do PP, Marcelo Aro, garantindo a indicação da vaga de vice. O movimento envolveu negociações diretas com lideranças do PL nacional, a exemplo do senador Rogério Marinho, e do presidente do PL-MG, Zé Vitor.

A reaproximação dos dirigentes Da Vitória (PP-ES), Marcelo Santos (União Brasil-ES) e Erick Musso (Republicanos-ES) resgata a sinergia observada nas eleições municipais de 2024. A avaliação nos bastidores é de que o bloco ganha tração para encabeçar um projeto próprio ao Governo do Estado, tendo como nome central o prefeito reeleito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) – que em abril entregou a prefeitura para a progressista Cris Samorini.

Informações dão conta que na tarde desta quarta-feira (29) os dirigentes estiveram em longas reuniões.

Pazolini no Governo do ES e a montagem das chapas majoritárias

A eventual consolidação dessa frente ampla de centro-direita responde ao discurso recorrente de Pazolini sobre a necessidade de unificar o segmento sob uma mesma bandeira. Na tese desenhada pelos caciques partidários, o ex-prefeito da capital repetiria a fórmula vitoriosa de 2024 — quando construiu uma chapa competitiva ao lado de Cris Samorini —, garantindo à coligação a prerrogativa de indicar o candidato a vice-governador, espaço hoje restrito na aliança com o MDB de Ricardo Ferraço.

Em declaração mantida sob reserva por interlocutores do bloco oposicionista, a orientação é clara: “A prioridade é garantir autonomia decisória na composição majoritária, algo inviável no desenho atual comandado pelo MDB. O modelo de Minas Gerais mostrou que a união orgânica da direita tem apelo eleitoral e viabilidade prática”.

Disputa pelo Senado e recomposições com o PSD de Gilberto Kassab

O rearranjo de forças altera sensivelmente a corrida pelas duas vagas ao Senado Federal pelo Espírito Santo. Na estrutura projetada, Maguinha Malta (PL) despontaria como o primeiro nome da chapa majoritária para a Câmara Alta. Por outro lado, a viabilização do projeto exige adequações de espaço: o deputado federal Evair de Melo (PP) deixaria a disputa pela reeleição na Câmara para integrar a composição majoritária ao Senado ou fortalecer o desenho regional.

A eventual saída de Evair de Melo da disputa proporcional alivia a concorrência direta pela bancada federal, beneficiando nomes como Da Vitória e Marcelo Santos. Caso o PSD seja atraído para o grupo, o tabuleiro ganha novos elementos: a sigla poderia pleitear a indicação da vaga de vice na chapa liderada por Lorenzo Pazolini.

O movimento consolida a tática da direita unificada e tensiona a pré-candidatura de Ricardo Ferraço ao Governo do Estado, redesenhando os prazos e as estratégias para os atos oficiais das convenções partidárias no Espírito Santo.

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