Nas eleições do ES, a grande pergunta que move os bastidores é: por que o PL de Magno Malta ainda trava a aliança com Lorenzo Pazolini? Para quem acompanha a sucessão estadual, o nó que impede a união da direita envolve cobranças de posicionamento ideológico e uma exigência drástica sobre o futuro político de Paulo Hartung. A poucas semanas do início oficial das convenções partidárias — que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto —, o tabuleiro político capixaba vive seu momento de maior ebulição para definir quem de fato marchará rumo ao Palácio Anchieta.
Líder isolado em todas as pesquisas de intenção de voto desde dezembro de 2024, Pazolini tem musculatura para uma jornada solo. O Republicanos não precisa do PL para ser competitivo. No entanto, política se faz somando, e o presidente estadual da sigla, Erick Musso, sabe disso.
Há mais de um ano, Musso opera como o grande arquiteto dessa união, cruzando pontes e marcando presença até em atos de rua ao lado do senador Magno Malta, tudo em nome de um propósito nacional: unificar o espectro conservador contra o bloco governista.
Mas, como o diabo mora nos detalhes — e nos bastidores —, a costura travou na província. A interlocução caseira esgotou, a ponto de a missão ser transferida para as cúpulas nacionais. Caberá ao presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, desembarcar em solo capixaba para tentar demover as resistências que travam o acordo.
Há dois grandes entraves nessa mesa de negociações:
1. O “perfil discreto” de Pazolini e o crivo ideológico de Magno Malta
Magno Malta não é homem de concessões fáceis quando o assunto é o DNA ideológico. E o comportamento político de Lorenzo Pazolini até aqui é o principal ponto de fricção. Para o PL raiz, o prefeito e pré-candidato ao governo jogou excessivamente parado no campo da polarização nacional.
Pazolini nunca subiu no caixote para empunhar bandeiras veementes pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, evitou discursos inflamados contra ministros do STF — em especial Alexandre de Moraes — e manteve-se distante das manifestações de rua promovidas pelos liberais. Para Malta, falta “sangue nos olhos” ideológico ao líder das pesquisas. O PL quer garantias de que não estará apenas emprestando tempo de TV e fundo eleitoral para um projeto de centro-direita “tépido”.
2. A sombra de Paulo Hartung e a vaga ao Senado
O segundo entrave atende por um nome histórico da política estadual: Paulo Hartung. As desavenças entre o ex-governador e Magno Malta são públicas, históricas e parecem intransponíveis. Malta colocou uma condição inegociável na mesa: o PL exige o aborto definitivo de qualquer ensaio que coloque Hartung (PSD) na disputa por uma vaga ao Senado. A justificativa é doméstica e estratégica — o projeto prioritário do PL é eleger Maguinha Malta, filha do senador, para a bancada capixaba em Brasília.
Aliados de Hartung, contudo, observam o cenário com o pragmatismo habitual do ex-governador. Quem conhece seu modus operandi garante: Hartung só entra em jogo com ambiente rigidamente controlado. Mais do que uma ambição pessoal de retornar ao Congresso, a missão número um do ex-governador neste ciclo é impor uma derrota política ao atual governador Ricardo Ferraço (MDB). Para alcançar esse objetivo, Hartung já abriu mão explicitamente de disputar o governo e declarou apoio a Pazolini.
O arranjo do PSD: Nos bastidores, a engenharia desenhada pelo PSD de Hartung caminha para ocupar a vaga de vice na chapa de Pazolini, oferecendo o icônico e popular Sérgio Meneguelli como o nome do partido para a disputa ao Senado — o que poderia, em tese, oferecer uma alternativa para o impasse com Malta.
O relógio corre contra o consenso. Enquanto Erick Musso intensifica a agenda regional para amarrar as pontas que restam, o desfecho da maior aliança da direita capixaba dependerá do tamanho da habilidade que Marcos Pereira e Magno Malta demonstrarão no olho a olho nos próximos dias. Não é uma união imprescindível para a sobrevivência de Pazolini, mas é o cenário padrão ouro para quem deseja entrar na campanha com o exército unificado.










