O cenário político do Espírito Santo volta a registrar contornos de drama e alta tensão em torno de um dos nomes mais populares do Estado. O deputado estadual Sergio Meneguelli (PSD) enfrenta, novamente, o risco real de ficar sem mandato — desta vez, por uma mistura de imposição partidária e decisão pessoal.
O fantasma que ronda o parlamentar não é novo. Há quatro anos, nas eleições de 2022, Meneguelli teve sua candidatura ao Senado sumariamente “garfada” pelas lideranças do Republicanos, seu antigo partido. Naquela ocasião, empurrado de última hora para a disputa na Assembleia Legislativa, transformou o revés em recorde: foi o deputado estadual mais votado da história do Espírito Santo, tendo recebido 138.523 – o segundo colocado obteve 98.669 votos. Agora, o histórico de rasteiras de bastidores ameaça se repetir.
A promessa do PSD e o peso de Kassab e Paulo Hartung
Disposto a não reviver o trauma do passado, Meneguelli utilizou a janela partidária de 2026 para migrar rumo ao PSD (Partido Social Democrático). A mudança de casa não foi um movimento intempestivo, mas respaldado por garantias de peso do topo da pirâmide política.
Para assinar a ficha de filiação, o deputado recebeu a promessa formal de que teria a legenda garantida para disputar a única vaga disponível ao Senado pelo Espírito Santo. O acordo de bastidores envolveu caciques de altíssima plumagem:
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Renzo Vasconcelos, presidente estadual do PSD-ES;
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Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda e um dos maiores articuladores políticos do país;
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Paulo Hartung, ex-governador do Estado e peça-chave no tabuleiro capixaba, também filiado ao partido.
O Alvo de Meneguelli: O empenho do parlamentar é exclusivo. Sergio Meneguelli não esconde de aliados e adversários que seu único foco para as próximas eleições é a cadeira no Congresso Nacional.
Rumores de “rifa” acendem alerta
Apesar das promessas firmadas pelas lideranças do PSD, o clima nos bastidores do Espírito Santo começou a azedar. Rumores crescentes no mercado político apontam que o partido estaria sendo pressionado a recuar da candidatura própria ao Senado para compor alianças majoritárias maiores, o que significaria rifar o ex-prefeito de Colatina pela segunda vez consecutiva.
Desta vez, no entanto, a reação do deputado estadual promete ser drástica e sem espaço para planos de contingência, como o que o levou à Assembleia Legislativa em 2022.
O ultimato: O retorno para Colatina e o fim da linha política
Diferente do pragmatismo de outros líderes, Meneguelli já avisou que não aceitará um prêmio de consolação. Caso o PSD descumpra o acordo e retire sua candidatura ao Senado, o parlamentar não irá disputar a reeleição e tampouco tentará vaga na Câmara Federal.
Em tom de desabafo e ultimato, o político afirmou que, diante de uma nova traição partidária, sua decisão é definitiva: arrumará as malas, voltará para Colatina — cidade onde ganhou projeção nacional como prefeito — e se retirará da vida pública, sem concorrer a absolutamente nada nas eleições. A bola agora está com a Executiva do PSD, que precisará calcular o custo eleitoral de perder o seu principal puxador de votos.









