Planejamento, integração e uso de dados: o caminho que salvou vidas no ES

O Espírito Santo alcançou, no mês passado, um novo marco histórico na segurança pública: tivemos o menor número de homicídios no mês de abril dos últimos 30 anos. Foram 44 registros no período, o melhor resultado da série histórica desde 1996, e o segundo melhor desempenho entre todos os meses já contabilizados. Mais vidas salvas do que perdidas

Outro dado relevante é a redução dos feminicídios. No acumulado de janeiro a abril deste ano, houve queda de 38,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

Esses dados não são um ponto fora da curva, eles representam algo mais profundo: a consolidação de uma política pública baseada em planejamento, governança e uso de dados e indicadores para enfrentar a criminalidade.

Durante décadas, o Espírito Santo esteve entre os Estados mais violentos do Brasil. No início dos anos 2000, os indicadores de homicídio refletiam um cenário de fragmentação institucional, baixa capacidade investigativa e ausência de políticas públicas integradas nos territórios mais vulneráveis.

Por volta de 2009 e 2010, o Estado apresentava taxas superiores a 50 homicídios por 100 mil habitantes, índice que hoje está na faixa de 20 por 100 mil habitantes, uma das mais baixas do país. A violência na época não era apenas um problema de segurança, era um sintoma de desorganização do Estado.

A mudança dessa trajetória não ocorreu por acaso. Ela foi resultado de uma decisão estratégica: tratar a segurança pública como uma política de Estado, e não como um conjunto de ações isoladas. Foi nesse contexto que nasceu o Programa Estado Presente em Defesa da Vida, estruturado a partir de três pilares fundamentais: governança forte, integração entre as diversas áreas do governo e gestão orientada por dados e evidências.

A principal inovação foi romper com a lógica tradicional. Segurança pública deixou de ser responsabilidade exclusiva das forças policiais e passou a ser conduzida de forma transversal, envolvendo áreas como educação, assistência social, saúde, infraestrutura e planejamento. Não se combate um fenômeno complexo com respostas simples.

Ao mesmo tempo, o Estado estruturou um modelo de governança que garante coordenação, monitoramento e tomada de decisão baseada em evidências. Indicadores passaram a orientar prioridades, territórios foram definidos com base em dados e as ações deixaram de ser reativas para se tornarem estratégicas. Os resultados são consistentes.

Os dados positivos verificados em abril se somam a outros indicadores que mostram uma tendência consolidada de redução da violência. Outro aspecto relevante é que essa transformação ocorreu mesmo diante de contextos desafiadores. O aumento da circulação de pessoas, a complexidade do crime organizado e as dinâmicas urbanas contemporâneas exigem respostas cada vez mais sofisticadas. Ainda assim, o Espírito Santo avançou, mostrando que é possível reduzir a violência de forma consistente quando há direção clara e capacidade de execução.

A experiência capixaba oferece uma lição importante para o Brasil. Não existe solução simples para problemas complexos. O enfrentamento da violência exige planejamento de longo prazo, integração institucional, continuidade das políticas públicas e compromisso com resultados. Exige, sobretudo, a capacidade de transformar dados em decisões e ações concretas.

Planejamento, integração e uso de dados: o caminho que salvou vidas no ESEssa lógica não se aplica apenas à segurança pública. Ela deve orientar todas as áreas da gestão pública.

Planejar não é prever o futuro com exatidão: é criar as condições para que o futuro seja melhor. O Espírito Santo demonstra que, quando há estratégia, governança e disciplina na execução, os resultados aparecem, e de forma sustentada. No fim, não estamos falando de dados estatísticos. Estamos falando de vidas preservadas.

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Álvaro Rogério Duboc Fajardo
MBA em Gestão Empresarial pela FGV

Secretário de Estado de Economia e Planejamento 

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