A rainha do rock brasileiro, Rita Lee, morreu em 2023, aos 75 anos, mas sua alma e legado continuam transformando a música do país. Uma das principais vocações de sua obra é o caráter revolucionário e “transgressor”, empoderando as mulheres e encorajando toda uma nova era de musicistas a caírem em tentação no fruto proibido.
Dito e feito: citando apenas um recorte dessa cadeia de empoderamento, a rainha Rita inspirou a cantora e compositora Manu Gavassi a gravar o álbum Fruto Proibido (Rita Lee e Tutti Frutti, 1975) no Acústico MTV, em 2023. Manu, por sua vez, convocou uma banda só de mulheres para o show. Segue o fio.
Elas se encontraram, ficaram amigas e despertaram a química, momento que uniu três instrumentistas potentes da música contemporânea e formou as MaMokas, trio de Pop Instrumental Brasileiro que vai tocar neste domingo (8) no Marien Calixte Jazz Music Festival, em Vila Velha, no Parque Cultural Casa do Governador (programação completa, de sábado e domingo, abaixo).
Eis o legado. As MaMokas surgiram este ano, mas com três musicistas de longa estrada. Mari Jacintho, tecladista com 20 anos de carreira, marcou presença em eventos como Rock in Rio e Lollapalooza, e colabora com artistas como Anavitória e Gilberto Gil; Mônica Agena, guitarrista reconhecida em todo o Brasil, participou do “Acústico Natiruts”, indicado ao Grammy Latino; e Ana Karina Sebastião é vencedora de dois Latin Grammy e a primeira mulher a ter uma linha de baixo signature no país, a Tagima Black Gold.
Essas forças, ao se unirem, encontraram uma linguagem bem característica destes tempos virtuais, amparadas pela habilidade que conquistaram durante os anos.
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E têm chamado a atenção. Em entrevista exclusiva à coluna, o trio anunciou que prepara o lançamento de uma série de EPs e que “vêm aí” shows internacionais. Abaixo, o bate-papo completo com as MaMokas.
Felipe Izar – “Pop Instrumental Brasileiro”. Hoje, até a música pop é difícil chamar de pop, uma vez que se configurou dentro desse estilo um recorte específico: divas, divos e suas bases de fãs. Bom, fiquei curioso para saber como surgiu esse slogan do pop instrumental para divulgar a banda. De qual motivação partiu?
MaMokas – “Pop Instrumental Brasileiro” surgiu como uma forma de traduzir a essência das MaMoKas: música instrumental que conversa diretamente com o público, sem barreiras. O pop pra gente é sinônimo de acessibilidade, de algo que qualquer pessoa pode ouvir, se conectar e curtir, independentemente do nível de conhecimento musical. Queríamos quebrar o estigma de que música instrumental é algo distante ou reservado apenas para nichos especializados. Nossa proposta é apresentar o instrumental de um jeito moderno e envolvente, carregando a energia vibrante da música pop — seja nas melodias marcantes, na forma como construímos os arranjos ou na estética que levamos para os palcos e redes sociais. É como se disséssemos: “Essa música é para todos.” Ao colocar o pop como parte do nosso DNA, estamos afirmando que o instrumental pode, sim, ser popular, acessível e profundamente brasileiro.
Temos visto artistas montarem bandas só de mulheres para turnês e shows especiais. Como aconteceu na apresentação de Manu Gavassi, ocasião em que vocês três se encontraram. Qual a importância de momentos especiais assim para as mulheres na música? Como tem sido encarar nestes tempos um mercado ainda majoritariamente masculino?
Quando uma artista escolhe montar uma banda só de mulheres, como no projeto acústico da Manu Gavassi, ela não apenas abre espaço para que talentos femininos ganhem visibilidade, mas também faz um importante posicionamento em um mercado ainda majoritariamente masculino. Exercitar esse olhar, buscar novas instrumentistas e dar oportunidades são passos essenciais para começarmos a equilibrar esses números. Embora os homens ainda sejam maioria entre os instrumentistas, essa realidade pode mudar à medida que mais mulheres se vejam representadas e inspiradas por outras mulheres atuando profissionalmente na música. É uma transformação que começa com iniciativas como essa e se amplia com exemplos concretos de inclusão e protagonismo.
Como foi esse momento da Manu? Um show muito bonito, homenageando a rainha do rock Rita Lee. Podem contar um pouco dos bastidores? Deu frio na barriga?
Interpretar o álbum Fruto Proibido inteiro em versões acústicas foi um mergulho profundo em uma obra que não apenas nos enriqueceu musicalmente, mas também ampliou nossa percepção sobre o impacto histórico desse disco na música brasileira. Naquela época, ver uma mulher cantando letras transgressoras acompanhada por arranjos cheios de guitarras elétricas era algo revolucionário — um verdadeiro diamante. Além disso, o clima leve entre a banda e toda a equipe técnica tornaram todo o processo, dos ensaios às gravações, super divertido.
Qual a expectativa para o show do ES? Podem dar um spoiler do repertório que prepararam?
Nossa expectativa para o show no Espírito Santo é altíssima. Nós estamos animadas para levar ao público um repertório cheio de músicas autorais, com uma mistura de gêneros diferentes que dão uma identidade única ao nosso som. Será um show bem alto-astral, cheio de energia e feito com muito carinho.

Programação Marien Calixte Jazz Music Fetival
Dia 7 – sábado
16h – Abertura dos portões
17h – Luccas Martins quarteto
18h30 – Duo Finlândia
20h – Bixiga 70
Malê Diexilend nos intervalos
Dia 8 – domingo
16h – Abertura dos portões
17h – Terra BrasilES Jazz Band
18h30 – Camarones Orquestra Guitarrística
20h – MaMokas
Malê Diexilend nos intervalos









