A crítica musical, muitas vezes, é um perigo. Imbuída de “certezas absolutas” e soberania, constrói suas listas e despeja suas linhas avaliativas. No fundo, um disco, por exemplo, ganha notoriedade ou não após um conjunto de fatores, da comunicação ao hype, determinando a agenda setting musical e segmentando, para o bem ou para o mal, o que é melhor ou pior.
E é claro que, dessa forma, injustiças aconteceram durante toda a história da música. Álbuns memoráveis foram reconhecidos só tempos depois de seu lançamento e outros nem foram tão “compreendidos”.
Aproveito a nova turnê de Paul McCartney pelo Brasil – agora ele toca dia 19, sábado, em Florianópolis – para me manifestar sobre o que considero uma dessas injustiças. E, claro, sugerir um belo álbum ao leitor para escutar durante todo o final de semana.
Me refiro à obra Memory Almost Full, lançada pelo ex-Beatle em 2007. Disco antológico. Mas que não é considerado antológico pela crítica e nunca está bem-posicionado nas listas nacionais e internacionais sobre os melhores discos de Paul McCartney. Absurdo, penso.
É um álbum que versa sobre o tempo contemporâneo. O tempo que corre e passa desesperadamente aos nossos olhos, enquanto estamos ocupados, demasiadamente informados, ansiosos e com a memória sempre cheia.
“Ever Present Past” (meu eterno passado, em tradução livre), segunda faixa, representa o tema central da obra. Interessante é que esta e outras do disco, como See Your Sunshine, evocam trechos melódicos que lembram bem como bandas e nomes do rock inglês dos anos 90 e 2000 foram influenciados pelos Beatles: Blur, The Kooks, Arctic Monkeys, Franz Ferdnand, entre outras.
A diferença é que o álbum de Paul McCartney é mais elegante e mais bem produzido. Não tem, por exemplo, aquela guitarrinha indie insuportavelmente mal tocada.
A quarta faixa, “Only Mama Knows”, é rock surpreendente. A introdução começa com elementos de cordas e, após um tempo, entram as guitarras distorcidas, acompanhadas do inconfundível baixo de McCartney. Baixo que também dá seu show à parte em “That Was Me”, nona do álbum.
Outra composição impressionante é “You Tell Me”, a quinta. Nesta, Paul canta sempre em falsete, numa interpretação incrível, além de tocar aquele violão que nos remete ao Fab Four, com as batidas rítmicas únicas do quarteto mais famoso do mundo.
Nesta turnê por São Paulo e Florianópolis, o que o fará completar 40 apresentações no Brasil, Paul McCartney colocou em seu setlist a canção que abre o álbum Memory Almost Full, “Dance Tonight”.
Vai por mim, caro leitor!
Dá o play
Sob a fusão de música eletrônica com o funk, o DJ e produtor Zatto, em parceria com o também DJ-produtor Rotelli, lançou o single “Trajadão” nessa quarta-feira, 16. A música já está disponível nas plataformas digitais. A mistura é bem interessante, certeira para movimentar uma pista de dança e ligada nos novos sons.
Para ouvir:









