Morreu, nesta sexta-feira (23), Sebastião Salgado, aos 81 anos, um dos maiores fotógrafos do mundo. A confirmação é do Instituto Terra, fundado por ele. “Com imenso pesar, comunicamos o falecimento de Sebastião Salgado, nosso fundador, mestre e eterno inspirador”.
“Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade. Sua lente revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora. Neste momento de luto, expressamos nossa solidariedade a Lélia, a seus filhos Juliano e Rodrigo, seus netos Flávio e Nara, e a todos os familiares e amigos que compartilham conosco a dor dessa perda imensa. Seguiremos honrando seu legado, cultivando a terra, a justiça e a beleza que ele tanto acreditou ser possível restaurar. Nosso eterno Tião, presente! Hoje e sempre”, diz o Instituto Terra, em nota.
Ele estava com problemas decorrentes de de uma malária que adquiriu nos anos 1990, segundo publicado pela Folha de S.Paulo após relato de um amigo do fotógrafo. A família confirmou e disse ainda que Sebastião sofria de leucemia grave, resultado da malária.
Em 2025 ele foi homenageado pela escola de samba Boa Vista no Carnaval de Vitória e a escola foi campeã com o enredo “Os Olhos do Mundo – assombros de Sebastião Salgado”.
Ele morava com a mulher, Lélia Salgado, e o Filho Rodrigo, em um apartamento em Paris, perto da Praça da Bastilha. O estúdio dele na cidade guarda um acervo com mais de 500 mil imagens.
O trabalho do fotógrafo está em destaque no centro Les Franciscaines, na comuna francesa de Deauville, em uma mostra aberta ao público até o dia 1º de junho de 2025. A exposição foi organizada em colaboração com a Maison Européenne de la Photographie, que possui mais de 400 obras do artista no acervo.
Homenagem
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrade, diz que “recebeu com muita tristeza” a notícia da morte de Sebastião Salgado, um gênio da fotografia e da luta socioambiental, e decretou luto oficial de 3 dias.
“Sua lente expôs ao mundo a dignidade humana e a urgência de preservar o planeta. Seu legado se eterniza no Instituto Terra. Em sua homenagem, decretarei luto oficial de 3 dias. Minha solidariedade aos seus familiares e amigos”, escreveu, junto a uma foto dos dois.

História
Sebastião nasceu em Aimorés, Minas Gerais, no dia 8 de fevereiro de 1944, e passou parte da juventude em Vitória, no Espírito Santo, pra onde se mudou aos 15 anos. Ele estudou Ciências Económicas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e se formou em 1967.
Salgado começou a fotografar de forma profissional em 1973, após ter concluído o doutorado em Economia e ter trabalhado para a Organização Internacional do Café. Após uma viagem à África, onde coordenou um projeto sobre a cultura do café, ele decidiu mudar para a fotografia.
Um dos mais conhecidos trabalho dele é com povos indígenas na Amazônia, com destaque para a exposição “Amazônia”. Salgado documentou a vida e a cultura de 12 diferentes comunidades indígenas, incluindo os Xingu, Awá-Guajá, Suruwahá, Asháninka, Yawanawá, Yanomami, Macuxi, Korubo, Zo’é e Marubo.
Em 1986 Sebastião Salgado documentou a febre do ouro na Serra Pelada, no Pará, com fotografias em preto e branco, mostrando a vida árdua dos trabalhadores que se dirigiam à mina em busca de riqueza.









