Desemprego é o menor até setembro com criação de vagas na construção

A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,2% no trimestre até setembro, o menor patamar para esse intervalo na série histórica iniciada em 2012, afirmou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (30).

O indicador registrou leve redução de 0,2 ponto percentual ante o nível de 5,4% dos três meses encerrados em junho, que servem de base de comparação. Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

A abertura de empregos ficou mais concentrada na construção, enquanto as outras nove atividades investigadas não tiveram variações consideradas significativas pelo IBGE. A renda também permaneceu estável.

Para analistas, os dados mostram que o mercado de trabalho segue forte, mas dá sinais de ritmo menor em meio ao cenário de desaceleração da economia sob juros altos.

“Os resultados de setembro corroboram nossa visão de mercado de trabalho aquecido, uma vez que a taxa de desemprego se aproximou ainda mais de 5%. No entanto, a população ocupada e os salários têm perdido fôlego em diversos setores e tipos de ocupação”, disse o economista Rodolfo Margato, da XP.

O desemprego de 5,2% veio em linha com as projeções do mercado financeiro. A mediana das estimativas coletadas pela agência Bloomberg também era de 5,2%.

5,6 MILHÕES EM BUSCA DE TRABALHO

A população desempregada baixou para 5,6 milhões até setembro. O número diminuiu 4% na comparação com o trimestre finalizado em junho (5,9 milhões). São 234 mil pessoas a menos nessa condição.

Nas estatísticas oficiais, uma pessoa de 14 anos ou mais que não tem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desempregada. Não basta só não trabalhar.

CONSTRUÇÃO EM DESTAQUE

A redução do desemprego veio acompanhada por aumento da população ocupada com algum tipo de trabalho (formal ou informal).

O contingente ocupado renovou o recorde da pesquisa: 103,6 milhões. Houve alta de 0,6% (mais 581 mil) ante o intervalo até junho (103,1 milhões).

O recorte das atividades mostra que a construção teve aumento de 2,8% no número de ocupados (mais 210 mil).

William Kratochwill, analista do IBGE, afirmou que obras de edifícios demandaram trabalhadores como pedreiros e auxiliares.

Segundo o técnico, a ocupação costuma crescer no trimestre até setembro, mas, neste ano, as eleições podem ter contido os avanços na maior parte das atividades.

“As pessoas, os grandes agentes, podem estar esperando para ver como se comportará a economia pós-pleito eleitoral”, disse o pesquisador.

“Foi um período eleitoral com bastante rivalidade entre os concorrentes e propostas distintas. Isso pode influenciar as decisões.”

O nível da ocupação alcançou 59% até setembro. É o maior da série histórica, repetindo o patamar que já havia sido registrado no período até novembro do ano passado.

Esse indicador mostra o percentual de pessoas com trabalho em relação ao total de 14 anos ou mais. Na prática, significa que quase 6 em cada 10 estavam ocupadas.

“É um nível de ocupação realmente elevado. Estamos muito próximos do que acontece em diversos países”, afirmou Kratochwill.

RENDA ESTACIONADA

O IBGE estimou a renda média do trabalho em R$ 3.790 por mês no trimestre até setembro. Houve variação positiva de 1% ante o período encerrado em junho (R$ 3.753).

O instituto, porém, considera o resultado como estabilidade. Isso ocorre porque a variação não foi significativa em termos estatísticos, permanecendo dentro da margem de erro da pesquisa.

O rendimento até setembro é o terceiro maior da série. Está 0,6% abaixo do recorde, verificado até março de 2026 (R$ 3.811).

O indicador cresceu 3,6% na comparação anual, ante o trimestre encerrado em setembro de 2025 (R$ 3.660).

RECORDES NO SETOR PÚBLICO E DE EMPREGADORES

O número de empregados no setor público renovou o recorde da série: 13,2 milhões. O IBGE citou contratações para funções como a de professor.

A quantidade de empregadores também alcançou a máxima da pesquisa, estimada em 4,5 milhões.

Conforme Kratochwill, o aquecimento do mercado de trabalho pode ter estimulado a migração de trabalhadores por conta própria (autônomos) para a figura de empregadores (com funcionários) devido ao crescimento dos negócios.

FIM DA 6X1

A divulgação desta sexta ocorre em um momento no qual o Brasil discute os eventuais impactos do fim da escala 6×1 -seis dias de trabalho e um de folga na semana. O término entra em vigor em meados de dezembro, e os efeitos tendem a variar de acordo com os setores.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, sinalizam que a 6×1 é mais comum em atividades ligadas ao turismo. São os casos de transporte aéreo, alojamento e alimentação.

DESEMPREGO BAIXO

Para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, a Pnad mostra que a perda de ritmo da atividade econômica não se traduziu em aumento do desemprego até agora.

Segundo ela, o ritmo de criação de vagas deve diminuir nos próximos meses, acompanhando a desaceleração da economia.

Ainda assim, Moreno não vê sinais de piora significativa do mercado de trabalho. O C6 espera desemprego em torno de 5,5% ao final de 2026.

A desocupação caiu nos últimos anos em meio ao desempenho positivo da atividade econômica. Outra questão citada por especialistas é a mudança demográfica.

Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de buscar ocupação.

Isso reduz a pressão da procura sobre a taxa de desemprego, mas desafia o sistema previdenciário, porque a demanda por aposentadorias tende a crescer.

O avanço da tecnologia também influencia os números. O Brasil tinha cerca de 2 milhões de pessoas exercendo o trabalho principal ou secundário por meio de aplicativos de serviços em 2025, conforme módulo anual da Pnad divulgado pelo IBGE em setembro.

Esse grupo reúne motoristas, entregadores e outros profissionais cadastrados em plataformas.

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – LEONARDO VIECELI

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