Pazolini reafirma compromisso: “Obra pública é feita com dinheiro do povo”

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (28), o governador eleito do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), voltou a reafirmar um compromisso feito durante tofa campanha. Em tom pacificador, contudo assertivo, o ex-prefeito da capital garantiu a continuidade das obras estaduais em andamento, pregou uma relação institucional madura tanto com o Palácio do Planalto quanto com a Assembleia Legislativa (Ales) e reforçou o compromisso com o fortalecimento dos municípios e da cultura capixaba.

Obras e municipalismo: “dinheiro do povo”

Postura central nas transições de governo, o receio de paralisação de canteiros de obras foi rebatido por Pazolini. O governador eleito assegurou que todos os projetos em curso pela atual gestão serão concluídos e entregues à população.

“Nós vamos inaugurar e entregar todos os equipamentos públicos. Por quê? Obra pública é feita com dinheiro do povo, ela não é sua, não é minha, ela não me tem um dono determinado”, afirmou Pazolini. “O nosso compromisso é exatamente esse: entregar todas as obras públicas e inaugurar. Nós teremos um governo extremamente municipalista.”

O novo gestor sustentou que a meta central é promover um crescimento equilibrado entre as regiões do Estado. “Nós precisamos que esse desenvolvimento seja uniforme, para que todos os municípios cresçam e se desenvolvam”, pontuou.

Relação com Brasília: foco em infraestrutura e logística

Questionado sobre a convivência política com o governo federal, Pazolini adotou uma postura pragmática e institucional. O governador eleito colocou as demandas históricas de infraestrutura do Espírito Santo acima de divergências partidárias ou ideológicas.

“Nós temos que ter uma relação madura. As urnas, os capixabas se manifestaram, o Brasil se manifestou. A partir de agora, todas as equipes e os representantes têm que sentar à mesa e dialogar. Independente do presidente, nós vamos dialogar”, destacou.

Entre as prioridades a serem levadas aos ministérios e à bancada federal capixaba, Pazolini ressaltou gargalos logísticos críticos:

  • BR-262 e BR-259: Defesa intransigente da duplicação das rodovias federais para redução de acidentes e aumento da segurança viária.

  • BR-101: Acompanhamento e aceleração dos trabalhos no trecho Norte do Estado.

  • Ferrovia EF-118: Conexão estratégica dos portos capixabas com o Centro-Oeste brasileiro para o escoamento da produção.

“Quem foi eleito representa o Espírito Santo, independentemente de quem votou. Todos que foram eleitos têm que lutar pela melhoria contínua do Espírito Santo. Isso é republicanismo, isso é uma política correta e isso é amadurecimento político”, defendeu o futuro chefe do Executivo.

Articulação com a Assembleia Legislativa e transição

No campo da política local, Pazolini já iniciou os movimentos para construir governabilidade na Assembleia Legislativa, onde precisará aglutinar apoio entre as diferentes bancadas. O governador eleito revelou ter tido encontros com o presidente da Casa, Marcelo Santos, acompanhado pelo ex-deputado Erick Musso, anunciado como coordenador-geral da equipe de transição ao lado do secretário Regis Mattos.

“Nós estamos nesse processo de amadurecimento para ouvir as demandas, os anseios, os desejos, as expectativas dos deputados. Nós temos que manter a independência e a harmonia entre os poderes. Quando há harmonia, a sociedade ganha”, explicou.

Cultura, juventude e comunicação pública

Na pauta social e cultural, Pazolini comprometeu-se com o fortalecimento de editais públicos, o fomento aos coletivos artísticos e o incentivo aos Centros de Referência da Juventude (CRJs) em áreas vulneráveis, citando ações adotadas durante sua passagem pela Prefeitura de Vitória.

“A cultura traz alegria, a cultura cura, a cultura é um instrumento fundamental de união da sociedade. É isso que nós queremos fazer: expandir pelos territórios, levar oportunidade para as regiões e fazer com que os fazedores de cultura sejam prestigiados”, declarou.

Ao abordar o papel dos veículos públicos do Estado, como a TVE e a Rádio Espírito Santo, o governador eleito defendeu a valorização das emissoras, destacando a importância da transmissão de eventos locais, da cultura regional e do esporte capixaba.

“A comunicação pública tem que ser valorizada. A TVE e a Rádio Espírito Santo cumprem uma missão institucional das mais nobres e relevantes, que é transmitir esses valores e democratizar esse acesso aos capixabas”, concluiu Pazolini, que inicia formalmente os trabalhos de transição com foco na montagem do secretariado para assumir o governo em janeiro.

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