Crea-ES já havia autuado empresa antes de prédio correr risco de colapso em VV

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) revelou que já acompanhava a situação do bloco F do Residencial Praia da Sereia, localizado no bairro Vale Encantado, em Vila Velha, antes de o imóvel ser interditado. Mais cedo, o portal ES Hoje noticiou que o risco de colapso fez o prédio ser esvaziado pela Defesa Civil no último dia 10 de outubro, deixando 16 famílias fora de suas casas.

Segundo o órgão de classe, equipes de fiscalização realizaram duas vistorias no local, nos dias 14 e 29 de setembro de 2026. Durante as visitas, o conselho recomendou o escoramento imediato da edificação, a realização de sondagem no terreno e a contratação de profissionais habilitados para avaliar toda a estrutura e definir as intervenções necessárias.

Crea-ES já havia autuado empresa antes de prédio correr risco de colapso em VV
Foto: Divulgação

Irregularidade técnica e autuação

Durante as inspeções presenciais, o Crea-ES identificou que a empresa contratada pelo condomínio para executar os serviços no prédio, embora tivesse registro ativo, não possuía um responsável técnico indicado para a obra.

A irregularidade resultou em um auto de infração com base no artigo 6º, alínea “e”, da Lei Federal nº 5.194/1966. A engenheira presente no local havia sido contratada pelo condomínio apenas para fiscalizar os trabalhos, função que não substitui a responsabilidade técnica da empresa executora.

“O registro da empresa no Conselho não dispensa a necessidade de um responsável técnico pelos serviços. Fiscalizar a obra em nome do condomínio e assumir a responsabilidade pela execução são atribuições distintas”, explica o gerente de Fiscalização do Crea-ES, o engenheiro civil Leonardo Leal.

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Recomendações para a liberação do prédio

A equipe técnica do Crea-ES orientou o síndico e a engenheira do condomínio a realizarem a sondagem do solo e contratarem um engenheiro civil ou empresa especializada para refazer o cálculo estrutural de toda a edificação, definindo o projeto de reforço adequado.

A liberação dos apartamentos para o retorno dos moradores só deve ocorrer após um rito técnico rigoroso:

  • Elaboração do projeto de reforço estrutural com base nos novos cálculos;

  • Execução completa das intervenções recomendadas;

  • Emissão do Laudo de Estabilidade, Salubridade e Habitabilidade assinado por profissional habilitado com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

“O cálculo estrutural deve orientar o projeto e as intervenções. Após o reforço, é necessária uma avaliação técnica das condições da edificação, documentada no laudo”, reforça Leonardo Leal.

De forma geral, o Crea-ES alerta que o aparecimento de trincas, fissuras, rachaduras ou desníveis em edificações deve ser avaliado imediatamente por profissionais habilitados e, em casos de suspeita de risco, a Defesa Civil deve ser acionada.

O presidente do Crea-ES, engenheiro Jorge Silva, destacou o caráter preventivo da fiscalização. “Nosso trabalho diário envolve fiscalizar e orientar para que os serviços de engenharia sejam conduzidos por profissionais habilitados, com responsabilidade técnica definida. A fiscalização e as orientações ao condomínio fazem parte do nosso compromisso com a segurança da população”, pontuou.

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