Inocente, pastor foi morto por queima de arquivo em Viana

Assassinado em julho de 2024 com diversos tiros, o pastor Tiago Carlotti, de 35 anos, foi morto por queima de arquivo. O crime aconteceu no bairro Areinha, em Viana, e o alvo principal dos criminosos era Maciel Oliveira de Souza, conhecido como Cara de Paca, de 29 anos à época. Ele trabalhava com o pastor como ajudante de pedreiro.

O superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Rafael Correa, relembrou o caso. O crime ocorreu no dia 23 de julho de 2024. As vítimas, o pastor Tiago, que trabalhava como pedreiro, e o ajudante de pedreiro Maciel, estavam em uma casa em obras quando foram atingidos por disparos de arma de fogo. Na ocasião, um jovem de 24 anos, que conversava com os dois, também foi baleado e socorrido com vida.

Segundo a polícia, as investigações identificaram os três envolvidos nos homicídios e na tentativa de homicídio.

O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Junior, destacou que se trata de um duplo homicídio consumado e um homicídio tentado. “O crime aconteceu de manhã e foram muitos tiros.”

Inocente, pastor foi morto por queima de arquivo em Viana
Pastor inocente foi assassinado ao lado de alvo de execução em Viana.

Pastor é morto como queima de arquivo

De acordo com a investigação, quando os atiradores chegaram ao local, surpreenderam Maciel, que tentou correr. O pastor acabou sendo morto como queima de arquivo.

“Ele não era alvo e possivelmente conhecia os atiradores. Era do bairro, fazia serviço social e acabou perdendo a vida por conta disso.”

Motivação do crime

O chefe da DHPP de Viana explicou o que levou à execução das vítimas naquela manhã. Segundo ele, por trás do crime existia um ato de vingança e a intenção de silenciar o ajudante de pedreiro, que era o alvo principal dos criminosos.

Ao detalhar o contexto da disputa criminosa, o delegado afirmou. “Em 2024, houve um racha na facção Primeiro Comando de Vitória (PCV). Os dois lados que ficaram estavam se declarando pelo poder na região. Marcelinho, do Vale do Sol, quem comandava. Hoje, ele está preso na Segurança Máxima II, foi deposto da função de líder e decretado pela facção.”

Segundo a investigação, Maciel continuava mantendo contato com a antiga liderança da facção, o que teria motivado a execução.

“A vítima, Cara de Paca, era amigo do Marcelinho. Mesmo perdendo a função dentro da facção, a posição de líder, Maciel continuou passando informações para Marcelinho, o que desagradou o grupo que assumiu o lugar dele.”

Inocente, pastor foi morto por queima de arquivo em Viana
Maciel Oliveira de Souza trabalhava como ajudante de pedreiro do pastor Tiago Carlotti quando foi morto no ataque. Ele era o alvo principal.

Ajuda ao próximo marcou trajetória de pastor

O delegado também destacou que o pastor não tinha qualquer envolvimento com o crime organizado e apenas oferecia uma oportunidade de trabalho ao ajudante de pedreiro.

“O pastor era inocente, mas naquela manhã ele deu uma oportunidade de trabalho para Maciel e estava trabalhando ao lado dele no momento do crime. Descobriram que ele estava como ajudante de pedreiro no bairro Areinha e foram até lá matar Maciel. No local estavam Tiago, que era pastor e buscava recuperar pessoas envolvidas com tráfico e usuários, estava dando oportunidade para Maciel e outra vítima para saírem do mundo do crime.”

Ressaltou que Tiago Carlotti não tinha nenhuma passagem pela polícia. “Era conhecido na região, realizava serviços sociais e estava sempre dando oportunidade e tentando ajudar essas pessoas a saírem do mundo das drogas”, disse.

Inocente, pastor foi morto por queima de arquivo em Viana
Conhecido pelo trabalho social, pastor Tiago Carlotti dedicava parte de sua vida a ajudar pessoas a deixarem as drogas e reconstruírem suas histórias.

Arma falha e terceira vítima escapa

Ainda de acordo com Cleudes Junior, uma terceira pessoa estava no local e conseguiu sobreviver por uma combinação de fatores.

O delegado explicou que a vítima não estava dentro da casa em obras no momento dos disparos e também foi beneficiada por uma falha na arma de um dos criminosos.

“Foi atingida por alguns tiros. Um dos atiradores tentou atirar no rosto, mas a arma travou, ou seria morto também. Baleada, se jogou do barranco e ficou até o socorro chegar.”

Autores assassinados durante investigação

Com acesso ao inquérito, depoimentos de testemunhas e relatórios de investigação, a polícia identificou os autores do crime: Arthur Mauricio Pinto, conhecido como “Jhon” ou “Xará”, Gabriel Lima Pires dos Santos, o “Boquela” ou “Sombra” , e Jeferson França Gonçalves de Souza, o “Dumbo” .

Sobre a participação de cada um, o delegado afirmou. “Na manhã do crime, Jeferson dirigiu o carro, um Gol branco com placa clonada. Arthur e Gabriel foram os atiradores.”

Durante as investigações, dois dos três suspeitos acabaram assassinados. “No dia 02 de janeiro de 2025, Gabriel, o Boquela, foi assassinado com vários tiros em Soteco, Viana. Duas semanas depois, Arthur também foi assassinado. Ele morreu em Central Carapina, Serra.”

Inocente, pastor foi morto por queima de arquivo em Viana
Gabriel Lima Pires dos Santos foi assassinado em 02 de janeiro de 2025, em Soteco, Viana. Duas semanas depois, em 17 de janeiro, Arthur Mauricio Pinto foi morto em Central Carapina, na Serra. A dupla era apontada pela investigação como autora dos disparos.

Conclusão de inquérito

Ao falar sobre o encerramento da investigação, o delegado explicou os desdobramentos jurídicos do caso.

“Como os autores foram mortos durante o processo, em relação aos dois, Arthur e Gabriel, foi representado o arquivamento. Já Dumbo, Jeferson, que já estava preso por crimes de tráfico, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo, teve a prisão preventiva relacionada ao duplo homicídio consumado e ao homicídio tentado. Além dos crimes pelos quais já responde, é o único vivo em relação a esse caso.”

Inocente, pastor foi morto por queima de arquivo em Viana
“O pastor era inocente e acabou perdendo a vida por estar ao lado do alvo dos criminosos”, afirmou o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Junior.

Reflexão sobre o crime

Ao final da coletiva, o superintendente de Polícia Especializada, delegado Rafael Correa, fez uma reflexão sobre as consequências da criminalidade e destacou o trabalho da Polícia Civil na elucidação do caso.

“O mundo do crime não traz efetivos lucros. Constatamos isso de forma verificável e empírica. O destino de quem está envolvido em situações criminosas é, muitas vezes, a morte ou a prisão. Esses índices atingem principalmente criminosos envolvidos em homicídios.”

Ele também ressaltou o resultado da investigação. “A Polícia Civil mais uma vez sai na frente dos criminosos e coloca mais um preso. Foi um crime que chocou Viana e o Espírito Santo”, finalizou.

Inocente, pastor foi morto por queima de arquivo em Viana
O superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Rafael Correa, destacou que o destino de muitos envolvidos com o crime é a prisão ou a morte.

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