A análise fria das urnas revela que o sucesso eleitoral no Espírito Santo extrapolou a contagem nominal de votos dos cabeças de chapa. O verdadeiro xadrez político do estado foi decidido por atores que operaram nos bastidores, redesenharam capitanias hereditárias partidárias e desafiaram máquinas municipais consolidadas.
Cariacica: o terremoto do vereador Cesinha
O mapa eleitoral de Cariacica é o case mais emblemático de articulação de base no estado. O vereador Cesinha (Republicanos) emergiu como a figura central da campanha no município, atropelando o favoritismo das forças locais tradicionais.
O Trunfo Executivo: Sob a liderança de Cesinha na cidade, Lorenzo Pazolini cravou 87.433 votos contra 59.221 de Ricardo Ferraço.
Projeção ao Senado: Na corrida ao Senado Federal, Cesinha alavancou a candidatura de Evair de Melo para 70.198 votos no município — ficando atrás apenas do ex-governador Renato Casagrande, que registrou 94.497 votos no colégio cariaciquense. Vale lembrar que na pré-campanha o vereador Cesinha participou da construção do grupo político na linha de frente.

A aproximação do PSD e Republicanos contou com muita movimentação de Paulo Hartung (PSD), Erick Musso e Cesar Lucas – o Cesinha O desgastante custo para o Prefeito: A movimentação de Cesinha desidratou a hegemonia do atual prefeito Euclério Sampaio (MDB) e do ex-prefeito Helder Salomão (PT). Euclério não conseguiu eleger seus afilhados políticos locais (Messias Donato para federal, Denninho para estadual e Santo Locutor), enquanto a câmara municipal viu a ascensão de vereadores fora de sua base aliada, como Açucena (PT) e Doutor Fernando Santório (PP).

Vitória: Cris segurou o Republicanos
Na capital, a dinâmica eleitoral consagrou duas táticas opostas de articulação. A prefeita Cris Samorini (PP) garantiu a sustentação da vitória de Pazolini em Vitória (115.011 votos contra 50.939 de Ricardo Ferraço). Com uma campanha sóbria e focada na gestão, Cris blindou o eleitorado da capital enquanto Pazolini percorria o interior, além de ter sido peça-chave na coordenação de Evair de Melo na Região Metropolitana.
Enquanto isso, a bancada governista na Câmara de Vitória — composta por vereadores do PSB, Republicanos, Podemos, MDB e PRD — falhou em converter apoio em votos para a chapa de Ricardo Ferraço, mesmo com o vereador Camillo Neves (PP) compondo a vice estadual.
O pai da Karla
Se ela já foi apresentada como “a filha de João”, antes que pronunciasse seu nome, a vereadora Karla Coser (PT) vem se consolidando uma liderança política. Hoje, pelo bom desempenho na campanha, nas urnas e, sobretudo, no mandato, agora o lider petista, João Coser, começa a ser identificado como “o pai da Karla”.
Após se consolidar como a vereadora mais votada da capital em 2024, transformou sua capilaridade em 51.306 votos para deputada estadual e foi peça fundamental para João Coser ter votação e ser puxado. A parlamentar segurou o desempenho da chapa da Federação, garantindo também a musculatura eleitoral necessária para alavancar a votação de seu pai, João Coser (77.242 votos), em dobradinha com o desempenho de Jack Rocha (142.187 votos).
O peso estratégico de Muniz Freire
Fora da Grande Vitória, o prefeito de Muniz Freire, Dito Silva, consolidou-se como um dos principais operadores do Sul do estado. Dito não apenas articulou a votação da chapa federal e deu sustentação à reeleição do deputado estadual Dary Pagung, como neutralizou localmente seu principal opositor político, Marcos Madureira, reorganizando as forças regionais para o ciclo político que se inicia.










