O PL convive, neste momento, com um asterisco importante na conta de votos de suas chapas proporcionais para deputado estadual e deputado federal no Espírito Santo.
O motivo passa por dois de seus principais puxadores de votos: o vereador de Vitória Armandinho Fontoura e o deputado federal Gilvan da Federal.
Os dois enfrentam situações jurídicas delicadas, embora em estágios diferentes. Armandinho teve o registro de sua candidatura a deputado estadual indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo nesta quarta-feira (9), em razão de condenação criminal por falsidade ideológica. A decisão ainda comporta recurso. Já Gilvan teve a inelegibilidade decorrente de sua condenação por violência política de gênero provisoriamente suspensa por uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral, podendo, neste momento, disputar as eleições.
Ou seja: nenhum dos dois casos pode ser tratado, hoje, como uma situação definitivamente encerrada.
E é justamente aí que aparece o asterisco, acompanhado de um belo ponto de interrogação, nas contas eleitorais do PL capixaba.
O próximo dia 14 de setembro é o prazo final para o pedido de substituição de candidatas e candidatos aos cargos majoritários e proporcionais, ressalvadas as exceções previstas na legislação.
Até agora, porém, não há indicativo claro de que o PL estadual pretenda fazer mudanças.
A impressão é de que a aposta pode ser dobrada: manter os nomes e confiar que, ao final das disputas judiciais, as situações sejam revertidas ou permaneçam favoráveis aos candidatos.
Só que existe um problema matemático considerável nessa escolha.
No sistema proporcional, caso um candidato esteja com o registro indeferido e sub judice no dia da eleição, a validade dos votos recebidos, inclusive para efeito da legenda, fica condicionada ao posterior deferimento do registro. Em outras palavras, partido e candidato assumem o risco de esses votos não entrarem na conta final caso a decisão desfavorável seja mantida.
E, tratando-se de nomes com potencial para acumular votação expressiva, não é pouca coisa.
Para deputado estadual, perder uma votação relevante já mexeria profundamente na matemática da chapa. Para deputado federal, onde o número de cadeiras em disputa é menor e cada conjunto de votos pesa ainda mais na formação do quociente e das sobras, a conta pode ser especialmente cruel.
O PL precisará, portanto, trabalhar com duas calculadoras ao mesmo tempo: uma considerando os votos de seus principais nomes e outra imaginando um cenário em que parte expressiva dessa votação simplesmente não possa ser aproveitada.
É uma escolha política, eleitoral e também matemática.
Nos próximos dias, o partido comandado no Espírito Santo pelo senador Magno Malta terá de tomar decisões e, sobretudo, estar preparado para arcar com as consequências delas.
Pode manter dois nomes fortemente identificados com o eleitorado bolsonarista e apostar nas batalhas judiciais. Nesse caso, terá de montar suas projeções considerando cenários com e sem esses votos.
Ou pode optar pela substituição, reduzindo o risco jurídico, mas criando outro problema político: retirar candidatos competitivos da disputa e ainda conviver com reclamações de aliados e com o argumento de que eles não tiveram a oportunidade de levar suas teses até o fim.
De um jeito ou de outro, não existe solução confortável.
Por enquanto, a chapa proporcional do PL no Espírito Santo vem acompanhada de um asterisco.
E ele pode valer alguns milhares de votos.










