O bônus e o risco da agenda múltipla de Arnaldinho Borgo

Nas eleições de 2022, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), fez uma aposta praticamente única, voltada para eleger seu candidato a deputado federal, o então vice-prefeito canela-verde Dr. Victor Linhalis (PSB). A empreitada deu certo e permitiu uma agenda concentrada no município.

Passados quatro anos, o cenário da vez é completamente diferente. Talvez Arnaldinho já não tenha mais a velha sinergia com Linhalis, mas o ponto é que o tucano resolveu pulverizar suas opções para federal, demonstrando, aparentemente, uma simpatia maior pela candidatura de Emanuela Pedroso (PSB) a uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Como tudo na vida, há bônus e ônus nas escolhas. O bônus da vez é a chance de emplacar o maior número possível de candidatos na Câmara. É um cenário mais remoto, porém possível. Se tudo der certo, Vila Velha ganha potencial para ter mais parlamentares auxiliando a administração em diversos aspectos.

Contudo, o ônus é perigoso. Quando eleito, em 2022, Linhalis teve uma concentração pesadíssima de votos em Vila Velha, o que sacramentou sua eleição. Agora, com diversos candidatos contando com a bênção do prefeito, esses sufrágios podem acabar espalhados e ter um resultado inócuo, ou seja, não serem suficientes para eleger um ungido ou uma ungida de Arnaldinho.

A postura de Arnaldinho demonstra um pouco do que foi seu posicionamento ao longo do período pré-eleitoral. Primeiro, bateu o pé para ser candidato a governador. Depois, ensaiou uma saída do grupo governista e andou até ao lado de Lorenzo Pazolini (Republicanos), principal rival do time que comanda o Palácio Anchieta. Em seguida, voltou aos braços do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e do governador Ricardo Ferraço (MDB).

Foi muita coisa em um único período, o que se reflete, agora, em uma tática pulverizada, de modo a alavancar os projetos do canela-verde para o pós-2028, quando termina seu mandato como chefe do Executivo municipal.

Arnaldinho tem nesta eleição questões difíceis a serem resolvidas. A primeira é ganhar de vez a confiança do grupo do Palácio Anchieta e conseguir angariar bons votos para Ricardo e Renato. A segunda é conquistar um aliado na Câmara dos Deputados e provar que sua tática de ataque em diversas frentes está correta. E a terceira é demonstrar que segue como um ator político relevante, de olho no jogo de 2030, mesmo após os percalços deste ano.

Como se vê, há muito em jogo para Arnaldinho. A aposta em uma cartela maior, com riscos também maiores em comparação com 2022, é uma forma, quem sabe, de manter o canela-verde vivo e relevante na política capixaba.

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