A capixaba Manuela Feliz embarca nos próximos dias para a Coreia do Sul, onde vai integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira de Taekwondo no Mundial de Poomsae. A competição será realizada em Chuncheon, entre 16 e 20 de setembro, e reunirá cerca de 1,5 mil atletas de 79 países. A delegação brasileira terá 60 competidores e uma comissão técnica com 12 profissionais.
Esta será a segunda missão internacional de Manuela como integrante da comissão técnica brasileira. Antes, ela participou dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, no Panamá, competição em que o Brasil terminou como campeão geral.
Em entrevista à Rádio ES Hoje, Manuela falou sobre os desafios e as novas responsabilidades após décadas dedicadas à modalidade. Depois de atuar como atleta, ela passou a trabalhar na formação de novos competidores. “Eu tive a minha passagem como atleta e depois que passa o tempo, que a carreira de atleta de alta performance é curta devido ao desgaste, eu passei a formar atletas”, contou.
O reconhecimento pelo trabalho veio antes da convocação para a Seleção. No fim de 2024, durante um circuito europeu, Manuela recebeu o título de melhor técnica internacional. No ano seguinte, foi eleita a melhor técnica do Campeonato Brasileiro na categoria profissional. Foi a partir desses resultados que surgiu o convite para integrar a comissão técnica da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD).
Durante a conversa, Manuela chamou atenção para a necessidade de ampliar a divulgação dos atletas capixabas e criar novas referências para crianças e jovens que estão começando no esporte. Para ela, apesar do crescimento dos mecanismos de apoio aos atletas, ainda é preciso dar visibilidade às conquistas. “Antes a gente dava divulgação, ampliava, falava de todo mundo, todo mundo começava a se identificar, e motivava as outras crianças a praticar aquela modalidade”, afirmou.
A treinadora citou a atleta capixaba Maria Clara como um dos nomes que vêm se destacando no taekwondo e defendeu mais espaço para os atletas de modalidades que ficam fora dos holofotes.
A atuação de Manuela também ultrapassa o ambiente competitivo. À frente do projeto Força Feminina, ela trabalha com defesa pessoal e orientação para mulheres a partir dos 16 anos. Segundo a treinadora, a iniciativa já atendeu aproximadamente 500 mulheres nos últimos três anos e combina treinamento físico com rodas de conversa sobre violência, direitos, psicologia e assistência social. Ela explica que o projeto busca fortalecer não apenas a capacidade de defesa, mas também a confiança e a autonomia das participantes.
Manuela também citou o projeto Escola de Taekwondo, que está com inscrições abertas e atende crianças a partir dos sete anos. A proposta prevê a divisão igualitária das vagas entre meninos e meninas e utiliza o esporte como instrumento de disciplina, confiança e fortalecimento. Para a treinadora, investir nas crianças também significa trabalhar na prevenção da violência e na construção de uma geração mais segura e preparada.
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