Demitidos das Casas Bahia no ES relatam falta de pagamento

Funcionários demitidos das Casas Bahia no Espírito Santo relatam dificuldades para receber valores que, segundo eles, estão pendentes após o desligamento. Em meio à crise financeira da empresa e às incertezas sobre o futuro, trabalhadores também reclamam da falta de informações e de um canal de comunicação para esclarecer dúvidas sobre a situação.

Em recuperação judicial, o Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas em uma operação realizada entre os dias 13 e 14 de agosto, com desligamento de milhares de funcionários em todo o país. No Espírito Santo, três lojas foram fechadas e mais de 100 trabalhadores perderam o emprego.

Um dos funcionários, que preferiu não se identificar, contou ao ESHOJE que foi demitido depois de mais de 20 anos trabalhando na empresa. Segundo ele, os trabalhadores foram pegos de surpresa e, além da demissão, enfrentam dificuldades para saber quando e como receberão os valores devidos.

“Fui dispensado em um domingo, por uma mensagem enviada por um robô via Whatsapp. Já se passaram mais de 15 dias e ainda não recebemos nada. Nem recisão, nem as comissões das nossas vendas de agosto. É uma grande falta de respeito a forma como tudo está acontecendo”, desabafou.

Trabalhadores reclamam de falta de comunicação

Outro problema apontado pelos funcionários é a dificuldade para conseguir contato direto com a empresa. Segundo o ex-funcionário, os trabalhadores são direcionados para um número que utiliza inteligência artificial e não consegue responder às situações específicas de cada caso.

“Falta uma comunicação eficaz, faltam muitas respostas. Cortaram a comunicação com a empresa, os nossos superiores não sabem o que dizer, não sabem explicar, ninguém nos dá um prazo para que as coisas sejam resolvidas. Enquanto isso, as contas estão vencendo. Eu ajudava minha mãe, que é cadeirante, e precisa de assistência e agora estamos nessa situação. Não consigo nem sair de casa, as coisas aconteceram de um jeito que afetaram meu psicológico”, relatou emocionado.

O ex-funcionário contou ainda que ele e outros colegas estão em contato com o Sindicato dos Empregados no Comércio no Estado do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES), que atua na tentativa de minimizar os impactos das demissões. Segundo ele, porém, ainda não há clareza sobre quais serão os próximos passos.

Justiça suspendeu demissões no Espírito Santo

Em decisão publicada na última quinta-feira (27), a Justiça do Trabalho determinou a suspensão provisória das demissões em massa realizadas pelas lojas do Grupo Casas Bahia no Espírito Santo. A decisão ocorreu após uma ação civil pública movida pelo Sindicomerciários.

Com a decisão, os trabalhadores demitidos deveriam ter os vínculos empregatícios provisoriamente restabelecidos e ser reincluídos na folha de pagamento em até cinco dias após a intimação da empresa, prazo que terminaria em 1º de setembro.

Até esta quarta-feira (2), porém, não havia informações atualizadas sobre a efetiva reinclusão desses trabalhadores na folha de pagamento.

Casas Bahia diz que demissões fazem parte de reestruturação

Em nota enviada à imprensa, a Casas Bahia afirmou que as demissões fazem parte de “um amplo processo de reestruturação, necessário para garantir a continuidade e a sustentabilidade do negócio, bem como a preservação dos empregos mantidos”.

A empresa registrou prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, segundo informações divulgadas nos últimos dias. No pedido de recuperação judicial, o Grupo citou a piora do cenário econômico e os juros elevados, além da restrição ao crédito, do aumento dos custos financeiros e da redução do consumo.

“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, apontou o comunicado da empresa.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio informou que vai acompanhar as decisões judiciais e cobrar os direitos dos trabalhadores.

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