Práticas aparentemente inofensivas, como dormir com lentes de contato, tomar banho ou nadar usando o dispositivo, reutilizar a solução do estojo ou ultrapassar o período indicado para troca podem representar riscos importantes para a saúde dos olhos. É justamente para chamar a atenção para esses cuidados que o Setembro Safira promove, ao longo do mês, a conscientização sobre o uso seguro e responsável das lentes de contato.
A Sociedade Brasileira de Lentes de Contato (Soblec) estima que mais de 2 milhões de cidadãos utilizam lentes no país atualmente.
As lentes, quando corretamente indicadas, adaptadas e utilizadas, podem proporcionar praticidade e boa qualidade visual para pessoas com miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia e outras condições. O problema está principalmente nos hábitos inadequados de uso e conservação.
Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o uso incorreto das lentes aumenta o risco de ceratite, uma inflamação da córnea que, em sua forma microbiana, pode ser provocada por bactérias, fungos ou outros microrganismos. Nos casos mais graves, a infecção pode provocar perda da visão ou necessidade de transplante de córnea.
“O grande problema é que muitas pessoas acabam incorporando comportamentos inadequados à rotina e deixam de enxergar a lente como um dispositivo médico. Dormir com a lente, por exemplo, aumenta o risco de complicações. O mesmo acontece quando o usuário entra no banho ou na piscina com ela, utiliza água para lavar ou armazenar a lente ou prolonga o período de uso além do recomendado”, explica o oftalmologista Dr. Pedro Trés Vieira Gomes, do Hospital de Olhos Vitória.
Água e lente de contato não combinam
Um dos principais alertas dos especialistas está relacionado ao contato das lentes com a água. Segundo o CDC, organismos presentes na água podem provocar infecções oculares, entre elas a ceratite por Acanthamoeba, uma condição rara, porém potencialmente grave e de tratamento difícil. A orientação é retirar as lentes antes de tomar banho, nadar ou praticar atividades aquáticas.
“É muito comum o paciente pensar que a água filtrada, mineral ou do chuveiro não oferece perigo. Mas a orientação é não permitir que nenhum tipo de água entre em contato com a lente. A lente fica diretamente sobre a superfície ocular e pode facilitar a entrada de microrganismos na córnea”, alerta Pedro.
Outro comportamento que merece atenção é o chamado ‘completar’ a solução do estojo, colocando produto novo sobre o líquido que já estava armazenado. A recomendação é sempre descartar a solução usada e utilizar uma nova, conforme as orientações do fabricante e do oftalmologista.
Sintomas não devem ser ignorados
Olhos vermelhos, dor, sensibilidade à luz, lacrimejamento excessivo, secreção, sensação de corpo estranho e visão embaçada são alguns dos sinais que podem indicar irritação ou infecção. Diante desses sintomas, a lente deve ser retirada e o paciente deve procurar avaliação oftalmológica.
“O paciente não deve tentar resolver sozinho com colírios ou simplesmente esperar passar. Uma irritação pode ser algo simples, mas também pode ser o primeiro sinal de uma infecção da córnea. Quanto mais cedo identificamos uma complicação, maiores são as chances de tratar adequadamente e preservar a visão”, destaca o oftalmologista.










