Investidores da Apex Partners e Rhino Securitizadora se unem em fórum independente para avaliar riscos

Diante do avanço da crise e do pedido de proteção cautelar na Justiça, investidores e credores com posições financeiras vinculadas à Apex Partners e à Rhino Securitizadora decidiram se organizar de forma independente. Liderado pelos investidores Solano Madeira e Ricardo Judice, um grupo inicial de 15 participantes promove um fórum presencial no próximo sábado, dia 29 de agosto, em Vitória, para discutir os impactos do cenário recente, mapear riscos e alinhar estratégias jurídicas e administrativas.

A mobilização começou a partir do diálogo entre clientes que tentavam, individualmente, mensurar a real exposição de seus patrimônios a diferentes produtos comercializados no ecossistema da gestora capixaba. As posições incluem desde debêntures emitidas pela Rhino Securitizadora com associação à Apex até cotas de fundos geridos pela Carbyne.

A complexidade da teia corporativa é um dos principais fatores que motivaram a união do grupo. Para compreender a amplitude do problema, a dinâmica de mercado envolve atores locais independentes, como o Grupo Rhino — securitizadora capixaba na qual a Apex Partners atuava no ecossistema regional como a principal distribuidora e comercializadora das soluções financeiras.

Segundo os organizadores, a pulverização de ativos entre várias firmas dificulta a análise individual das garantias. “A grande maioria de nós está tentando entender sozinha uma situação que envolve várias empresas, fundos e estruturas diferentes. Faz mais sentido organizar isso coletivamente”, afirmam os idealizadores do encontro.

Mapeamento do endividamento

Dados preliminares do passivo do grupo apontam um endividamento total apurado em R$ 985,6 milhões (com data-base em 30 de junho de 2026). A distribuição dos valores revela a abrangência do impacto financeiro entre investidores individuais e instituições bancárias:

  • Debêntures (Rhino Securitizadora): R$ 452,1 milhões em séries emitidas por intermédio da securitizadora.

  • Obrigações de cashback: R$ 309,8 milhões distribuídos em cerca de 1.600 posições de clientes.

  • Endividamento bancário com aval: R$ 201,7 milhões junto a instituições como Sicoob, BTG Pactual e Banco Daycoval.

  • Tributos correntes em atraso: R$ 35,2 milhões devidos pela Apex Partners.

Durante o fórum presencial em Vitória, os participantes pretendem debater a identificação clara dos devedores de cada operação, a existência e a liquidez das garantias atreladas aos papéis, o funcionamento das estruturas de patrimônio separado e de lastro, além da potencial sujeição dessas posições aos efeitos de um futuro processo de recuperação judicial da Apex.

Também entrarão na pauta a situação de investidores que já solicitaram resgates sem sucesso, aqueles que enfrentam atrasos em pagamentos e a avaliação de medidas judiciais ou administrativas cabíveis.

Caráter da articulação

Os organizadores fazem questão de ressaltar que a iniciativa não se configura como um Comitê de Credores formal nos termos da Lei nº 11.101/2005, nem como Assembleia de Credores ou de Debenturistas. O movimento define-se como uma articulação privada, voluntária e independente, sem poder automático de representação legal dos demais afetados.

O objetivo inicial do grupo é reunir informações técnicas, ampliar o diálogo entre os atingidos e oferecer subsídios para que cada investidor tome decisões fundamentadas sobre sua própria carteira. A participação na reunião de sábado será restrita a credores e investidores previamente cadastrados.

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