Transparência na saúde melhora no ES, mas diferença entre cidades chega a 88 pontos

A transparência na gestão municipal da saúde avançou no Espírito Santo, mas os resultados ainda são bastante diferentes entre as 78 cidades. Afonso Cláudio, Serra, Vila Velha e Vitória alcançaram 100 pontos, enquanto Governador Lindenberg ficou na última posição, com 11,9 pontos. A diferença entre os extremos chega a 88,1 pontos.

Os dados estão no Ranking Capixaba de Transparência e Governança Pública – Saúde 2026, realizado pela Transparência Capixaba em parceria com o ES em Ação, com metodologia desenvolvida pela Transparência Internacional – Brasil.

Na comparação com 2025, a média dos municípios subiu de 65,1 para 72 pontos, uma alta de 6,9 pontos. Das 78 cidades avaliadas, 42, ou 53,8%, melhoraram suas notas em mais de dois pontos. Outras 19 tiveram queda e 17 permaneceram estáveis.

Também cresceu o número de municípios nas melhores faixas. Em 2025, 27 cidades estavam classificadas como “ótimo” e 16 como “bom”. Agora, são 37 no primeiro grupo e 19 no segundo.

Com isso, 56 municípios, equivalentes a 71,8% das prefeituras capixabas, alcançaram desempenho “ótimo” ou “bom”. No ano passado, eram 43, ou 55,1%. Já o número de cidades classificadas como “regular” ou abaixo caiu de 35 para 22.

Transparência na saúde melhora no ES, mas diferença entre cidades chega a 88 pontos
Foto: Mary Martins

Para Adila Damiani, diretora executiva da Transparência Capixaba, o avanço é resultado de um trabalho de acompanhamento e orientação realizado pela entidade junto aos municípios.

“Desde 2022 a gente vem fazendo monitoramento dos níveis de transparência. Naquela época, a gente teve seis municípios ótimos”, afirmou.

Segundo Adila, a entidade passou a oferecer assessoramento gratuito às prefeituras interessadas, com sugestões, críticas e orientações para melhorar a divulgação das informações.

“Quem tinha interesse buscava a nossa colaboração, as nossas sugestões, as nossas críticas”, disse.

Ela também destacou que os municípios passaram a disputar melhores posições no levantamento. “Eles foram estimulados a uma competição positiva, então todo mundo quer ficar no topo do ranking”, afirmou.

São Gabriel da Palha salta de 14,9 para 82,8

Entre as maiores mudanças estão municípios que estavam nas últimas posições do ranking anterior.

São Gabriel da Palha teve a maior evolução. A cidade saiu de 14,9 pontos em 2025, quando estava na classificação “péssimo”, para 82,8 neste ano, entrando na faixa “ótimo”. O avanço foi de 67,9 pontos.

Sooretama também apresentou forte crescimento, passando de 25,8 para 90,3 pontos, alta de 64,5 pontos. Com isso, deixou a classificação “ruim” e chegou à faixa “ótimo”.

Atílio Vivácqua avançou 56,1 pontos, de 34,4 para 90,5, e também passou de “ruim” para “ótimo”.

A Serra foi outro destaque. O município tinha 72,2 pontos no ano passado e chegou a 100 em 2026, avanço de 27,8 pontos. Com o resultado, passou a dividir a liderança com Afonso Cláudio, Vila Velha e Vitória.

Nove municípios ainda estão nas piores faixas

Apesar da melhora na média estadual, nove municípios continuam classificados como “ruim” ou “péssimo”.

Jerônimo Monteiro aparece com 39,1 pontos, seguido por Rio Novo do Sul, com 37,6; Pedro Canário, 33,9; Vila Pavão, 32,9; Vila Valério, 29,1; Água Doce do Norte, 27,5; Alto Rio Novo, 27; e Brejetuba, 21.

Governador Lindenberg ocupa a última posição, com 11,9 pontos, e é o único município na faixa “péssimo”.

Outras 13 cidades estão na classificação “regular”. Entre elas estão Mimoso do Sul, Nova Venécia, Marilândia, Alfredo Chaves, Águia Branca, Ibitirama, Baixo Guandu, Conceição da Barra, Pinheiros e Barra de São Francisco.

Ranking também coloca interior no debate político

Embora o levantamento não seja uma avaliação eleitoral nem meça a qualidade dos serviços de saúde, os resultados permitem observar diferenças na forma como as administrações municipais disponibilizam informações à população.

Esse recorte ganha relevância no cenário político estadual, em um momento em que a relação do governo com os municípios e a presença no interior estão entre os temas da disputa. Os dados, porém, são referentes ao levantamento de 2026 e não permitem, sozinhos, medir investimentos atuais do Estado nas cidades.

A comparação mostra que municípios de diferentes regiões conseguiram avançar de forma significativa na transparência, enquanto outros ainda permanecem nas faixas mais baixas. São Gabriel da Palha, Sooretama e Atílio Vivácqua estão entre os exemplos de cidades que tiveram grandes saltos.

Adila ressalta que a meta da entidade é ampliar esse resultado nos próximos anos. “Em 2027 a nossa meta é não ter nenhum município regular, a gente ter todos os municípios bons e ótimos”, afirmou.

O que o ranking avalia

O ranking não mede a qualidade do atendimento oferecido à população na rede municipal de saúde. O foco está na transparência e na governança das informações relacionadas ao sistema de saúde.

Entre os itens analisados estão dados administrativos, contratos, indicadores e canais de participação social disponibilizados pelas prefeituras.

A avaliação também considera a forma como as informações são apresentadas ao cidadão. Segundo Adila, o trabalho inclui a busca por uma linguagem mais acessível para facilitar a compreensão dos dados.

“A gente também trabalha para que esses dados sejam entendidos pela população. Então, esse assessoramento também tem uma parte que é a linguagem cidadã”, disse.

Na edição anterior, a Transparência Capixaba apontou que comunicação, engajamento e participação popular continuavam entre os principais desafios, especialmente na divulgação de informações sobre conselhos municipais de saúde e mecanismos de participação.

O acesso a esses dados permite ao cidadão acompanhar gastos, contratos e decisões tomadas pelas administrações municipais na área da saúde.

Adila também relacionou a transparência à situação das contas públicas e à atração de investimentos. Segundo ela, o controle externo exercido pelo Tribunal de Contas tem contribuído para ampliar a cobrança por informações públicas.

“Os municípios têm uma responsabilidade fiscal importante, que eles têm contas saneadas, que eles conseguem apresentar todos os dados de forma entendível”, afirmou.

Para a diretora executiva, a transparência também pode influenciar a decisão de empresas sobre onde investir. “A gente percebe que isso de fato traz investimentos para o Estado”, disse.

O levantamento, portanto, apresenta um retrato da transparência municipal na área da saúde e mostra avanços importantes, mas também diferenças entre as cidades. O desempenho dos municípios coloca no debate público não apenas a divulgação de informações, mas a capacidade das prefeituras de permitir que a população acompanhe e fiscalize a gestão.

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