Aridelmo diz que rasgou a ficha de filiação do PSD para não ficar “isento” na eleição

Ex-candidato ao governo do Espírito Santo e ex-secretário de Fazenda do município de Vitória, Aridelmo Teixeira rompeu oficialmente com o PSD capixaba. Em conversa com ES Hoje para explicar o gesto drástico de rasgar sua ficha de desfiliação, o político disse que a decisão está tomada desde o desfecho da convenção partidária, realizada em 5 de agosto.

O estopim para o desembarque foi a deliberação do partido de adotar uma postura de neutralidade na disputa deste ano. Para Aridelmo, a palavra “neutro” simplesmente não cabe no vocabulário político quando o futuro de um Estado está em jogo.

“No processo eleitoral, o PSD tomou decisões que não estão alinhadas com o meu posicionamento político nesse momento. Para evitar agir contra as diretrizes do partido, preferi ficar independente nesse período para que eu possa expressar minhas opiniões e ajudar a eleger os candidatos que acho melhores para o Espírito Santo.”

Expectativa frustrada e aposta em Pasolini

Aridelmo revelou que sua ida para o sigla tinha como objetivo construir um projeto de desenvolvimento robusto, aproveitando a força nacional do partido comandado por Gilberto Kassab e a competitividade dos quadros locais — citando inclusive o apelo eleitoral de Sérgio Meneguelli para o Senado.

A intenção do grupo, segundo ele, era canalizar essa musculatura para apoiar a candidatura de Lorenzo Pasolini (Republicanos), enxergado por ele como o nome de renovação para o Palácio Anchieta. O arranjo, no entanto, naufragou nas negociações e culminou na neutralidade decretada na convenção.

Apesar da ruptura, ele assegura que não guarda rusgas com a direção ou com os filiados, mas justifica o distanciamento pela gravidade do momento político capixaba:

“Não tenho nenhuma divergência com o presidente ou membros do partido. É um momento eleitoral em que vejo o Espírito Santo em uma encruzilhada: ou muda o rumo, ou voltamos para a instalação do crime organizado de forma definitiva. Eu não posso ficar isento num ambiente desse.”

Sem partido durante a corrida eleitoral para preservar sua liberdade de posicionamento, Aridelmo planeja buscar uma nova legenda após a eleição — desde que vinculada a um projeto de Estado, e não a candidaturas personalistas. Questionado ao fim sobre quem receberá seu voto para o governo e para o Senado, ele preferiu desconversar e deixou o mistério no ar.

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