As exportações brasileiras de café solúvel registraram uma expressiva recuperação no mercado internacional. Em julho de 2026, as remessas somaram 8,161 mil toneladas — equivalentes a 353.761 sacas de 60 quilos (Kg) de café verde —, volume 20% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O resultado consolida o reaquecimento do setor lá fora e vem acompanhado pelo protagonismo direto do Espírito Santo, responsável por cerca de 70% da produção nacional de café canéfora (conilon), a principal matéria-prima para a indústria de solúveis.
Com os números de julho, o país acumula 57,4 mil toneladas embarcadas entre janeiro e julho de 2026, montante 10,9% maior do que as 51,7 mil toneladas do mesmo período do ano anterior. O estado capixaba se destaca com um dos maiores e mais modernos parques produtores do país, alimentando uma rede global que leva o produto local a 92 nações. No segmento de café solúvel, os principais destinos das exportações com matriz capixaba e nacional continuam sendo os Estados Unidos e a Indonésia.

Café solúvel na lista de isenções tarifárias
Para o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, o desempenho favorável coincide com avanços regulatórios no comércio exterior. Em maio, entrou em vigor o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Pouco depois, na segunda metade de julho, o governo norte-americano incluiu o café solúvel na lista de isenções tarifárias, encerrando quase um ano de sobretaxação ao produto brasileiro.
“São conquistas, contudo, recentes demais para explicar os volumes já embarcados. Nenhuma das duas medidas teve tempo de se refletir integralmente nos números de julho, mas o que já se enxerga é a reação desses mercados. Os embarques para a UE cresceram 51,4% entre maio e o fim de julho, somando 5,2 mil toneladas e as remessas aos EUA voltaram a crescer no mês passado, 9,5% acima de julho de 2025, com 1,3 mil toneladas. O efeito pleno das duas conquistas deve aparecer a partir do segundo semestre”, projeta Lima.
Entre maio e julho, os embarques para o bloco europeu saltaram 51,4%, enquanto as vendas para o mercado americano voltaram a crescer 9,5% no último mês.
Perda de receita cambial
Apesar de a receita cambial acumulada no ano ter ficado em US$ 663,5 milhões — um leve recuo de 2,5% frente a 2025 devido à acomodação dos preços globais após cotações históricas —, o fluxo físico de remessas segue aquecido.

“É um descolamento explicado pelos preços: o mercado global opera, atualmente, abaixo das cotações excepcionais registradas em 2025. Embarcamos bastante mais café e faturamos praticamente o mesmo”, observa Aguinaldo Lima.
Além dos destinos tradicionais, como Estados Unidos (8,4 mil toneladas no ano), Argentina e Rússia, chama atenção o avanço do produto brasileiro sobre nações que também produzem o item, como Colômbia (+145,7%), Indonésia (+49,6%), México (+33,2%) e Vietnã (+67,2%), demonstrando a alta competitividade da indústria nacional.
O movimento positivo repercute da mesma forma dentro do território brasileiro. Nos primeiros sete meses do ano, o consumo doméstico de café solúvel alcançou 17,3 mil toneladas, uma expansão de 14,4% sobre o ano anterior.

Segundo a consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, essa mudança é impulsionada pela diversificação de opções nas prateleiras — incluindo linhas gourmet, orgânicas e descafeinadas — e pela entrada do café solúvel como ingrediente funcional na indústria de bebidas prontas e suplementos proteicos. “Hoje nós temos um sortimento muito amplo de café solúvel, desde cafés orgânicos, descafeinados, cafés premium e de excelência, enfim, variedade de oferta para diferentes momentos de consumo. Assim, a percepção de produtos de qualidade também aumentou”, explica.











