Encontrado exclusivamente em riachos do Sul do Espírito Santo, o bagrinho-de-kaetés (Trichogenes claviger), peixe ameaçado de extinção na categoria criticamente em perigo, tornou-se o centro das atenções no debate sobre a conservação dos ecossistemas aquáticos e das matas ciliares capixabas. A preservação da espécie endêmica e o impacto das atividades humanas nos cursos d’água integram a pauta do XIV Simpósio sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica (Simbioma), realizado pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), em Santa Teresa, com abertura no dia 19 de agosto de 2026.
Espécie exclusiva do Espírito Santo depende de rios preservados
A escolha do peixe como símbolo do evento científico busca chamar a atenção para a degradação dos mananciais e a necessidade urgente de proteger a fauna nativa que habita os rios do estado. Por depender estritamente de águas límpidas e florestas preservadas no entorno dos riachos para garantir sua reprodução e sobrevivência, o animal funciona como um indicador direto da qualidade ambiental na região.
“O Trichogenes claviger foi escolhido como espécie símbolo desta edição do Simbioma porque representa a ligação entre a floresta, a água e a vida. É uma espécie criticamente ameaçada, que depende de rios bem preservados para sobreviver. E, talvez, a principal mensagem que ele nos traga seja a de que tudo está interligado: a saúde da floresta se reflete na saúde dos nossos rios e, consequentemente, em toda a biodiversidade que deles depende”, destacou a pesquisadora do INMA e palestrante, Juliana Paulo da Silva.
Impacto ambiental e conservação da sociobiodiversidade
A perda da vegetação nativa nas margens dos rios, somada ao avanço de atividades econômicas sem planejamento sustentável, representa a principal ameaça à sobrevivência de espécies aquáticas raras no Espírito Santo. Os debates abordam a função estratégica das matas ciliares para evitar o assoreamento dos cursos d’água e manter o equilíbrio ecológico dos territórios locais.
“Escolhemos esse tema porque os ecossistemas aquáticos estão diretamente relacionados à conservação da biodiversidade e à qualidade de vida. Discutir a integridade dos rios é também pensar na conservação das matas ciliares, no uso sustentável dos territórios e nas relações que as comunidades estabelecem com esses ambientes”, explicou a pesquisadora do INMA e presidente da Comissão Organizadora, Nara Mota.
Debate reúne especialistas e gestores ambientais no INMA
Além de alertar sobre o risco de desaparecimento de espécies da fauna capixaba, os estudos apresentados buscam integrar o conhecimento acadêmico às ações de fiscalização e conservação comunitária. A programação técnica inclui mesas-redondas, minicursos, painéis e apresentação de trabalhos focados no manejo de áreas sensíveis.
“No Simbioma, além da presença de pesquisadores de vários estados brasileiros, teremos representantes tanto de gestores ambientais como das comunidades que vivem e protegem as áreas sensíveis para preservação. É uma oportunidade de troca de experiências e saberes para a conservação e restauração da Mata Atlântica”, afirmou o pesquisador do INMA e integrante da Comissão Organizadora, Danilo Pacheco Cordeiro.
O encontro é organizado pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica em parceria com a Associação de Amigos do Museu de Biologia Professor Mello Leitão (Sambio).










