No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto, um novo medicamento aprovado nos Estados Unidos reacende as expectativas para o tratamento de pacientes com colesterol elevado. A Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) autorizou, no último mês, o uso do Lipfendra (enlicitide), primeiro comprimido da classe dos inibidores da PCSK9, até então disponível apenas em versões injetáveis.
A aprovação foi baseada em estudos com mais de 3.200 participantes. Os resultados apontaram redução média de cerca de 60% nos níveis de LDL, conhecido como colesterol ruim, após 24 semanas de tratamento, desempenho semelhante ao dos medicamentos injetáveis da mesma classe.
Além da eficácia, a principal novidade é a administração por via oral, que pode aumentar a adesão ao tratamento, considerada um dos principais desafios no controle das doenças cardiovasculares.
Segundo o cardiologista e professor da Afya Ipatinga, Norberto de Sá Neto, os inibidores da PCSK9 são indicados principalmente para pacientes de alto risco cardiovascular, como pessoas que já sofreram infarto ou AVC, têm hipercolesterolemia familiar ou não conseguem atingir as metas de colesterol mesmo utilizando estatinas e ezetimiba.
“Grandes estudos mostram que, para cada redução de aproximadamente 40 mg/dL no LDL, o risco de infarto, AVC e morte por doença cardiovascular diminui cerca de 20%”, explica o especialista.
Colesterol alto afeta milhões de brasileiros
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que cerca de 40% dos adultos brasileiros convivem com colesterol elevado, enquanto a prevalência estimada na população geral é de 22,6%.
O excesso de LDL favorece a formação de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica.
De acordo com Norberto de Sá Neto, essas placas podem crescer ao longo do tempo, estreitando os vasos sanguíneos e, quando se rompem, desencadeiam eventos cardiovasculares graves.
“As medicações não apenas reduzem o colesterol, mas também estabilizam essas placas, tornando-as menos suscetíveis à ruptura e diminuindo o risco de complicações”, afirma.
Mais de 1.100 mortes por dia
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no país. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, elas provocam cerca de 400 mil mortes por ano, o equivalente a mais de 1.100 óbitos por dia.
O especialista ressalta que o controle do colesterol, aliado a hábitos saudáveis, é fundamental para prevenir esses desfechos.
“Muitos pacientes acreditam que só precisam de remédios quando o colesterol está muito alto. Mas, em algumas situações, o principal benefício da medicação é estabilizar as placas e reduzir o risco de infarto ou AVC, mesmo quando os níveis de colesterol não parecem tão elevados”, conclui.










