Um golpe da Caterpillar aplicado por meio de uma plataforma falsa da gigante de tratores e equipamentos agrícolas utiliza inteligência artificial (IA) para enganar vítimas e burlar mecanismos de segurança bancária. Os criminosos prometem rendimentos diários de quase 8% sobre supostos investimentos em aluguel compartilhado de maquinário. Além do prejuízo financeiro, os golpistas orientam os usuários a ignorarem os avisos de risco emitidos por instituições financeiras durante transferências via Pix, intensificando o alcance da fraude digital.
Como funciona o golpe da plataforma falsa da Caterpillar
Conforme estudo publicado pela empresa de segurança da informação Eset, os criminosos clonaram a imagem visual da multinacional. Ao acessarem a página fraudulenta, as vítimas cedem dados pessoais e realizam transferências bancárias para a conta dos golpistas.
Para acelerar a disseminação, a estrutura incentiva a indicação de novos usuários em troca de comissões, o que caracteriza pirâmide financeira — prática configurada como crime contra a economia popular no Brasil (Lei nº 1.521/1951).
“Eles passaram a desenvolver uma narrativa completa para reduzir a desconfiança das vítimas, antecipando inclusive mecanismos legítimos de proteção dos bancos”, alerta o pesquisador de segurança da Eset, Jonathan Ramos.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Caterpillar por e-mail na quinta-feira (30), às 15h34, e reforçou o contato nesta sexta-feira (31), às 11h48. Até a publicação desta matéria, a fabricante não enviou posicionamento.
Em seu portal oficial, contudo, a companhia mantém um alerta ativo sobre fraudes digitais e falsas oportunidades de investimento associadas ao nome da marca. A empresa orienta que clientes confirmem a identidade de representantes, não cliquem em links suspeitos e evitem o download de arquivos anexos via SMS ou e-mails não solicitados.
Passo a passo do golpe do Pix com inteligência artificial
O esquema de estelionato digital segue uma dinâmica estruturada para capturar informações e valores do investidor. De acordo com a análise técnica da Eset, o ataque ocorre nas seguintes etapas:
Abordagem inicial: A vítima recebe um link malicioso via e-mail, SMS ou redes sociais. O endereço simula o site oficial da marca, frequentemente utilizando a técnica de typosquatting — adicionando, por exemplo, a letra “R” antes do “T” no nome do domínio.
Coleta de dados: O portal solicita o número de telefone para o cadastro inicial e, em seguida, exige nome completo e CPF.
Apresentação de planos: A plataforma exibe cotas de locação de equipamentos com promessas de lucros diários desproporcionais aos padrões de mercado.
Uso de IA contra os bancos: Após a escolha do plano, é exibido um vídeo com “Ana”, uma avatar gerada por IA apresentada como agente virtual da empresa. No vídeo, a personagem afirma:
“Como é seu primeiro depósito, o banco pode te alertar com alerta de golpe. Mas fique tranquilo, é só marcar a opção e continuar com o investimento. Isso pode acontecer com depósitos nos principais bancos físicos e digitais.”
Transferência e expansão: A tela exibe o QR Code para o pagamento via Pix. Concluído o envio do dinheiro, o sistema libera links de recomendação para que a vítima atraia parentes e amigos, consolidando a estrutura de pirâmide.
Especialistas em segurança cibernética recomendam que, ao notar divergências no nome da empresa, ofertas de ganhos fáceis ou solicitações para ignorar alertas de segurança do próprio banco, o usuário interrompa a transação imediatamente e registre um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil.










