Ricardo Ferraço eleições 2026: o xadrez da vice e a pressão da base aliada

Ricardo Ferraço eleições 2026 se tornou o tema central dos bastidores políticos no Espírito Santo nesta reta final pré-eleitoral. O governador emedebista, que busca a reeleição no comando do Palácio Anchieta, enfrenta um teste de autoridade para manter a ampla coalizão partidária anunciada há meses. Embora o emedebista declare estar no controle da articulação, a construção da chapa majoritária expõe um cabo de guerra entre forças de centro-direita e de centro-esquerda, com insatisfações que vão do Podemos à poderosa Federação União Progressista (Progressistas e União Brasil).

          [ FRENTE AMPLA EM CHEQUE ]
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[ CENTRO-DIREITA ]               [ CENTRO-ESQUERDA ]
• PP + União Brasil              • PDT (Sérgio Vidigal)
• Cobram a vaga de Vice          • Apontado por aliado
• AMEAÇA: Racha na base          • AMEAÇA: Fuga da direita

O gargalo da vice de Ricardo Ferraço e o descontentamento partidário

A montagem do palanque governista começou a acumular ruídos ainda no ano passado. O Podemos, sob o comando do deputado federal Gilson Daniel, foi uma das primeiras siglas a declarar apoio formal ao projeto de Ricardo Ferraço. No entanto, o partido não obteve espaço na chapa majoritária e enfrentou dificuldades operacionais para estruturar suas chapas proporcionais, exigindo engenharia do seu presidente para fechar as nominatas.

A pressão aumentou com a consolidação da Federação União Progressista, formada pelo PP do deputado federal Da Vitória e pelo União Brasil, presidido pelo deputado estadual Marcelo Santos. Com a maior fatia de tempo de televisão e fundo eleitoral, o bloco ganhou terreno na aliança. Da Vitória recuou da pré-candidatura ao Senado, enquanto Marcelo Santos defendeu publicamente os nomes de Ricardo Ferraço ao governo, Renato Casagrande (PSB) ao Senado e a ex-senadora Rose de Freitas (MDB). Em troca, os dirigentes da federação passaram a cobrar como condição inegociável a indicação do candidato a vice-governador.

O efeito Vidigal, o fator PSD e a manobra no PSB

O cenário que parecia inclinado à consolidação da Federação sofreu uma reviravolta política após a convenção eleitoral do PSB. Durante um almoço com prefeitos, Renato Casagrande fez emergir o nome do ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), como alternativa para ocupar a vaga de vice. A movimentação pegou a centro-direita de surpresa, já que o PDT integra o espectro de centro-esquerda.

Paralelamente, a tentativa de acomodação do PSD, liderado no estado pelo prefeito colatinense Renzo Vasconcelos — após rusgas com a aliança travada entre o Republicanos de Erick Musso e o PL para a chapa encabeçada por Lorenzo Pazolini —, acrescentou mais um prato a ser equilibrado no grupo. A entrada de novas siglas em busca de espaço na chapa majoritária tem gerado efeito reverso, ampliando o risco de fragmentação entre os aliados históricos.

Em declaração exclusiva alES Hoje, Ferraço minimizou as divergências e negou qualquer manobra para isolar a Federação União Progressista:

“Esses movimentos são muito naturais e a gente tem uma frente ampla. Quando se lidera frente ampla, em que nem todos pensam igual, isso acontece. Mas tenho fé e confiança que o que nos une é o Espírito Santo e vamos encontrar um denominador comum. Não tem movimentação para tirar nem colocar ninguém, o que tem são opiniões de um conjunto amplo de partidos. É uma construção coletiva.”

Questionado sobre de quem será a palavra final quanto à escolha do vice, Ferraço reiterou que a condução do processo exige diálogo:

“A decisão será minha no final, mas produto de muito diálogo, de muita conversa, com calma e humildade. Foi isso que nos trouxe até aqui e agora a gente vai exercendo esse diálogo para chegar a um ponto de união. Nosso movimento procura uma figura que possa nos unir, unificar aquilo que há de mais importante. Não é um CPF, mas uma pessoa que mostre que temos uma chapa marcada pela união.”

Ausências na convenção e a declaração sobre Lula acendem alerta

Os sinais de desiquilíbrio na aliança se tornaram visíveis durante o evento do PSB. As ausências de Marcelo Santos (União Brasil), Da Vitória (PP) e Gilson Daniel (Podemos) na convenção eleitoral marcaram um recado político direto à condução do processo majoritário.

Para tensionar ainda mais o ambiente entre os partidos de centro-direita, o ex-governador e candidato ao Senado, Renato Casagrande, declarou em entrevista que seu candidato à Presidência da República é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT – cujo vice será mantido o quadro do PSB, Geraldo Alkimin). A afirmação gerou ruídos imediatos em um grupo formado por siglas com eleitorado majoritariamente conservador.

Casagrande ponderou que a formação do palanque exige negociação ampla e que a escolha de seus suplentes ao Senado buscará contemplar as legendas aliadas que ficarem fora da chapa principal. Contudo, ao reafirmar sua trajetória, Ricardo Ferraço demarcou seu próprio campo ideológico para conter a dispersão da direita:

“Minha trajetória é conhecida, sou de centro-direita. A gente é produto de uma trajetória, e a minha trajetória é reveladora.”

Com o prazo das convenções se esgotando, Ferraço enfrenta o desafio de arbitrar entre a pressão da Federação UP pela vice e o movimento capitaneado pelo PSB de atrair o PDT, sob o risco de ver parte expressiva de sua base migrate para candidaturas de oposição na disputa pelo Governo do Estado.

Narrativa da “Melancia” e traição à centro-direita

Se o grupo de Ferraço avançar com o nome de Sérgio Vidigal (PDT) ou outro aliado alinhado à centro-esquerda, o bloco conservador usará a manobra para taxar a chapa governista de incoerente. A mensagem para o eleitorado capixaba será direta: Ferraço diz ser de centro-direita, mas entregará a gestão a um projeto ligado ao Palácio do Planalto e ao governo Lula.

Com a Federação União Progressista e o Podemos se sentindo preteridos, o grupo de Pazolini ganha munição para atrair lideranças estaduais e prefeitos descontentes. O isolamento de quadros como Da Vitória e Marcelo Santos na majoritária abre espaço para acordos proporcionais informais:

  • Palanque duplo: Candidatos a deputado federal e estadual do PP e UB podem optar por fazer campanha para Pazolini no interior, onde o sentimento conservador é forte, abandonando a chapa oficial.

  • Divisão no tempo de TV e verba: Um desembarque parcial de siglas da Federação tira densidade do palanque de Ferraço e transfere apoio político para a oposição.

          [ IMPASSE NA VICE DE FERRAÇO ]
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[ PDT na Vice ]                     [ Preterição do PP/UB ]
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Erosão da base conservadora          Desembarque de lideranças
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           [ OPORTUNIDADE DE PAZOLINI / PL ]
           • Discurso da "Direita de Fato"
           • Atração do eleitorado antipetista
           • Palanques regionais fraturados

Consolidação da “Direita Sem Amarras”

Pazolini e o PL podem se apresentar como a única alternativa verdadeiramente alinhada com o eleitorado antipetista e de centro-direita do Espírito Santo. A declaração de Renato Casagrande em apoio a Lula serve como a prova definitiva usada pela oposição para mostrar que a chapa de Ferraço é a extensão do projeto nacional do PT no estado.

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No canal do ES Hoje no YouTube, a entrevista do programa EntreVistas traz detalhes sobre a relação entre Renato Casagrande e Ricardo Ferraço, além de projeções diretamente ligadas à disputa pelo Governo do Estado nas eleições de 2026. Você pode assistir ao conteúdo completo em Casagrande Revela: Eleições 2026 e o Futuro de Ricardo Ferraço no ES.

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