Em outubro deste ano, mais uma vez, milhões de brasileiros terão a oportunidade de exercer um dos maiores direitos conquistados pela democracia: escolher, por meio do voto, os representantes que conduzirão os destinos do país nos próximos anos.
Mas o voto nem sempre foi um direito acessível à maioria da população.
Durante o Império, conforme a Constituição de 1824, somente homens livres, maiores de 25 anos e com determinada renda podiam votar. Com a Proclamação da República, em 1889, iniciou-se uma nova etapa da história brasileira. A primeira eleição presidencial direta ocorreu em 1894. Curiosamente, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não participaram daquela eleição em razão dos conflitos decorrentes da Revolução Federalista.
Outro fato histórico chama a atenção. Quando passou a ser obrigatória a assinatura no alistamento eleitoral, o número de eleitores caiu drasticamente, passando de aproximadamente 13% da população para apenas 0,8%, demonstrando o enorme desafio que o país enfrentava para consolidar sua democracia.
Na chamada Primeira República (1889–1930), o voto não era secreto, favorecendo fraudes e o conhecido “voto de cabresto”. Entre 1930 e 1945, durante a Era Vargas, o Brasil permaneceu vários anos sem eleições presidenciais diretas. A democracia foi retomada em 1945, interrompida novamente pelo regime militar em 1964 e plenamente restabelecida apenas com a Constituição de 1988. Desde então, os brasileiros voltaram a escolher diretamente seus governantes.
Nas eleições de 2026, aproximadamente 158 milhões de brasileiros estarão aptos a votar. Além do presidente e do vice-presidente da República, serão escolhidos 27 governadores, 27 vice-governadores, 54 senadores, 513 deputados federais, 1035 deputados estaduais e 24 deputados distritais. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, e, onde houver necessidade, o segundo turno será realizado em 25 de outubro, ambos em um domingo.
O voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas analfabetas e cidadãos com mais de 70 anos.
O perfil do eleitorado também apresenta dados interessantes. As mulheres representam a maioria dos eleitores brasileiros, correspondendo a cerca de 53% do total, enquanto os homens somam aproximadamente 47%. Além disso, o Nordeste foi a região que apresentou o maior crescimento absoluto do eleitorado nesta atualização cadastral, refletindo mudanças demográficas importantes.
Entretanto, muito mais importantes do que as estatísticas são as escolhas que cada eleitor fará diante da urna.
Independentemente de preferências ideológicas, simpatias partidárias ou posicionamentos políticos, votar exige responsabilidade. Vale a pena conhecer a trajetória dos candidatos, suas propostas, sua conduta pública, sua capacidade de gestão e os compromissos que assumem perante a sociedade. Também é importante conhecer a atuação dos partidos políticos e avaliar, com serenidade, quais projetos representam melhor os interesses do país.
Existe uma reflexão que merece atenção. Muitas vezes criticamos nossos governantes, deputados e senadores. No entanto, eles chegam aos cargos por meio da escolha dos próprios cidadãos. Em uma democracia, as instituições políticas acabam refletindo, em grande medida, os valores, o comportamento e as decisões da sociedade que as elege.
Se desejamos um Brasil mais justo, mais eficiente, mais ético e mais desenvolvido, a mudança começa com cada eleitor.
O voto é secreto, individual e livre. Mas seus efeitos são coletivos e alcançam milhões de brasileiros.
Antes de confirmar seu voto, reflita. Pesquise. Compare. Decida com consciência. O Brasil que teremos amanhã começa na escolha que cada um de nós fará diante da urna.
A democracia não exige que todos pensem igual. Exige apenas que todos votem com consciência.
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