Neste domingo (26), Dia dos Avós, a coluna presta homenagem à minha vó Durvalina.
Entre tantas lembranças da infância, nenhuma é tão doce quanto o cajuzinho que ela fazia. Era daqueles que reuniam a família em volta da mesa e desapareciam da travessa em poucos minutos.
O curioso é que o cajuzinho nem sempre foi de amendoim. A receita nasceu no Norte e no Nordeste do Brasil, preparada com a polpa do próprio caju. Moldado no formato da fruta e decorado com a castanha, o doce aproveitava um dos ingredientes mais abundantes da região.
Com a migração de nordestinos para outras partes do país ao longo do século XX, a receita atravessou fronteiras. Onde o caju era menos comum, o amendoim assumiu o papel principal. O formato permaneceu o mesmo, assim como o nome. Nascia ali um dos doces mais tradicionais da confeitaria brasileira, presença garantida em batizados, casamentos, festas de família e, mais tarde, nos aniversários que marcaram gerações.
Na cozinha da vó Durvalina, a receita também carregava tradição. Nada de atalhos. Ela misturava claras de ovo, açúcar, amendoim torrado e moído e chocolate em pó até chegar ao ponto certo. Depois moldava, um a um, os pequenos cajus que perfumavam a casa inteira.
Receita da vó Durvalina
4 claras de ovo
3 colheres (sopa) de açúcar
500 g de amendoim torrado e moído
Chocolate em pó até dar o ponto da massa
Açúcar refinado para envolver os docinhos
Metades de amendoim para decorar
Misture todos os ingredientes até obter uma massa firme. Modele os docinhos no formato de pequenos cajus, passe no açúcar refinado e finalize com meia banda de amendoim, representando a castanha da fruta.
Mais do que um doce, os cajuzinhos da minha vó eram uma forma de demonstrar carinho. E talvez esse seja o verdadeiro segredo das receitas que atravessam gerações: elas alimentam muito mais do que a fome. Alimentam a memória.
Feliz Dia dos Avós! ❤️










