Você pode estar comprometendo a saúde do cérebro sem perceber. Hábitos simples do dia a dia, como dormir bem, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e cultivar relações sociais, podem fazer a diferença na preservação da memória, da capacidade de raciocínio e da autonomia ao longo da vida.
O alerta é do neurologista Leonardo Maciel, da São Bernardo Samp, em alusão ao Dia Mundial do Cérebro, celebrado nesta terça-feira (22). Segundo o especialista, embora esquecimentos ocasionais possam fazer parte do envelhecimento, alguns sinais merecem atenção por indicarem um possível comprometimento cognitivo.
“É possível envelhecer mantendo a capacidade de aprender, memorizar e tomar decisões. O que merece investigação é um declínio progressivo que passa a interferir na vida diária”, afirma.
De acordo com o neurologista, dificuldades para aprender informações novas, desorientação em locais conhecidos, alterações de personalidade e problemas para administrar medicamentos ou finanças podem indicar a necessidade de avaliação médica.
Hábitos que protegem o cérebro
Entre as principais recomendações para preservar a saúde cerebral está a prática regular de atividade física. Segundo Maciel, os exercícios melhoram a circulação sanguínea no cérebro, fortalecem as conexões entre os neurônios e podem reduzir em cerca de 25% o risco de demência.
Outra medida importante é priorizar o sono. Dormir entre sete e oito horas por noite favorece a saúde cognitiva, enquanto tanto a privação quanto o excesso de sono podem aumentar o risco de alterações cerebrais.
A alimentação também exerce papel fundamental. Dietas ricas em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e peixes, como a mediterrânea, estão associadas à melhor função cognitiva e à redução do declínio cerebral ao longo dos anos.
O especialista ainda recomenda evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, fatores considerados modificáveis e relacionados ao aumento do risco de demência.
Controle de doenças e vida social ativa
Manter sob controle a pressão arterial, o diabetes, o colesterol e a obesidade também é essencial. Segundo Maciel, a saúde cardiovascular está diretamente ligada ao funcionamento do cérebro.
“Até 45% dos casos de demência podem estar relacionados a fatores de risco modificáveis. Controlar esses fatores cardiovasculares é uma das estratégias fundamentais de prevenção”, destaca.
Além dos cuidados com o corpo, o neurologista ressalta a importância de manter o cérebro ativo. Ler, estudar, aprender novas habilidades e participar de atividades que estimulem o raciocínio ajudam a formar a chamada reserva cognitiva, considerada um fator de proteção contra o declínio mental.
As relações sociais também desempenham um papel importante. O isolamento está entre os fatores associados ao aumento do risco de demência, enquanto o convívio com familiares, amigos e grupos sociais contribui para a manutenção das funções cognitivas.
Saúde mental também faz diferença
O controle do estresse e da ansiedade completa a lista de cuidados. Segundo o médico, essas condições podem afetar regiões do cérebro responsáveis pela memória e pela atenção quando persistem por longos períodos.
“Se eu tivesse que resumir, diria: pratique exercícios físicos regularmente; mantenha uma alimentação saudável, durma de sete a oito horas por noite, não fume e mantenha-se socialmente ativo e mentalmente engajado. Esses hábitos combinados podem reduzir o risco de demência em até 60%. Pessoas que aderem a múltiplos comportamentos saudáveis mantêm melhor função cognitiva próximo ao fim da vida, independentemente de alterações cerebrais relacionadas à idade”, conclui o neurologista.










