Plenário esvaziado trava votação da LDO e Monjardim denuncia projeto de poder na Câmara de Vitória

O esvaziamento do plenário da Câmara Municipal de Vitória durante a sessão desta quarta-feira (22), que impediu a continuidade da deliberação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), levou o vereador Leonardo Monjardim (Novo) a fazer um duro pronunciamento contra o comportamento dos parlamentares. A manifestação ocorreu logo após a suspensão da sessão, motivada pela saída de vereadores do plenário, em um movimento de retaliação ao pedido de cassação do mandato do vereador Professor Jocelino (PT), encaminhado pela Prefeitura de Vitória à Casa na terça-feira (21).

Durante o discurso, Monjardim afirmou que a divisão interna entre grupos de vereadores tem comprometido o funcionamento do Legislativo e prejudicado a discussão de matérias consideradas estratégicas para a cidade. Para o parlamentar, o ambiente político da Câmara passou a ser marcado por disputas internas que extrapolam as diferenças ideológicas.

“Estou cada dia mais preocupado com esse parlamento. A divergência de ideias ideológicas é natural, faz parte do processo político. Mas quando o parlamento começa a se dividir como time, em grupos, como está acontecendo aqui, a gente está cometendo um grande mal para a cidade de Vitória”, declarou.

O vereador criticou a formação de blocos políticos dentro da Câmara e afirmou que a população não elegeu seus representantes para protagonizar disputas internas. “Tenho certeza de que ninguém votou em qualquer vereador desta Casa para ver esse tipo de comportamento”.

Críticas ao esvaziamento do plenário

Ao comentar a saída dos parlamentares antes da votação da LDO, Monjardim afirmou que o episódio contribui para o desgaste da imagem da classe política perante a população.

Segundo ele, a ausência de vereadores durante sessões deliberativas não encontra paralelo na iniciativa privada nem no serviço público. “Em qualquer empresa privada ou até pública, se um funcionário faltar ao trabalho, ele terá falta e não receberá por aquele dia. Nenhum cidadão pode simplesmente abandonar o trabalho e continuar recebendo normalmente. Isso está errado”.

O vereador aproveitou o discurso para defender uma mudança na rotina de trabalho dos parlamentares. Segundo ele, os vereadores deveriam cumprir jornada semelhante à dos demais trabalhadores.

“É por isso que eu defendo que vereador trabalhe oito horas por dia, de segunda a sexta-feira, e bata ponto. O trabalhador que ganha um salário mínimo cumpre expediente diariamente. Aqui, muitas vezes, vereador chega depois da sessão, sai antes ou deixa o plenário vazio e continua recebendo integralmente. Isso precisa ser debatido”.

LDO no centro das críticas

Monjardim afirmou que a interrupção da análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias representa prejuízo direto para a população, já que o projeto estabelece as bases para a elaboração do orçamento municipal. Segundo ele, a matéria influencia o financiamento das principais políticas públicas da capital.

“Estamos deliberando sobre a lei orçamentária da cidade, que vai tratar da saúde, da educação, da segurança, das políticas sociais e de diversas áreas importantes. Mesmo assim, por duas vezes o plenário foi esvaziado”.

Para o vereador, é legítimo que a oposição exerça seu papel de fiscalização ao Executivo, mas isso não deveria impedir a apreciação de matérias consideradas essenciais. “Quem faz oposição tem que fazer oposição. Tem que cobrar a prefeitura, sim. Mas não dá para transformar o momento mais importante do ano para discutir o financiamento das políticas públicas em palco para esse tipo de comportamento”.

Denúncia de articulação política

Durante o pronunciamento, Leonardo Monjardim afirmou que o esvaziamento do plenário foi resultado de uma articulação política. “O plenário foi esvaziado de forma orquestrada por um projeto de poder”.

Sem apresentar detalhes sobre a afirmação, o vereador voltou a dizer que parte dos parlamentares estaria mais concentrada na disputa pela presidência da Câmara do que na apreciação de projetos de interesse da cidade. “Quando denunciei que tinha vereador mais preocupado com a presidência da Casa do que em discutir políticas públicas para Vitória, fui criticado. Mas não vou calar a boca”.

Monjardim também afirmou que projetos de sua autoria deixaram de ser aprovados na Câmara em razão de sua postura política. “Meus projetos não estão passando mais nesta Casa porque eu estou falando a verdade. Não faço parte desse sistema e não vou fazer. A sociedade vai entender por que isso está acontecendo”.

Ao concluir o discurso, o parlamentar disse que continuará fazendo críticas ao que classificou como um sistema político instalado na Câmara Municipal.

“Sei que hoje sou minoria e já registrei minhas derrotas neste plenário. Mas não vou me curvar. Vou continuar defendendo aquilo que acredito ser o melhor para o povo capixaba”.

A sessão desta quarta-feira foi suspensa após o esvaziamento do plenário e retomada posteriormente. A saída dos parlamentares ocorreu um dia depois de a Câmara receber o pedido de cassação do mandato do vereador Professor Jocelino (PT), encaminhado pela Prefeitura de Vitória. A votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias estava entre os principais itens da pauta do dia.

 

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