Alimentos e energia fazem inflação dos mais pobres disparar acima da média nacional

A inflação continua atingindo com mais força as famílias de menor renda no Brasil. Em maio, o custo de vida para quem ganha menos registrou alta de 0,83%, mais que o dobro da inflação observada entre as famílias de renda alta, que ficou em 0,38%, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Embora o índice dos mais pobres tenha desacelerado em relação a abril, quando chegou a 0,92%, ele permaneceu como o mais elevado entre todas as faixas de renda analisadas pelo instituto pelo segundo mês consecutivo.

De acordo com o Ipea, a principal pressão veio do aumento dos preços da alimentação consumida dentro de casa, que subiu 1,65% em maio, além do reajuste da energia elétrica residencial, que avançou 3,67% no período.

O impacto é maior para as famílias de baixa renda porque esses gastos representam uma parcela mais significativa do orçamento mensal. No grupo classificado como renda muito baixa, o rendimento domiciliar é inferior a R$ 2.299,82 por mês. Já entre as famílias de renda alta, a renda mensal supera R$ 22.998,22.

 

Alimentos e energia puxam alta

Segundo o estudo, a inflação dos alimentos consumidos no domicílio foi a mais intensa para o mês de maio desde 2008. Analistas atribuem o resultado à menor oferta de alguns produtos e ao aumento dos custos de transporte.

A conta de luz também contribuiu para pressionar o orçamento das famílias, especialmente das mais pobres, que destinam parcela maior da renda a despesas essenciais.

Enquanto isso, alguns itens ajudaram a conter uma alta ainda maior da inflação. Os combustíveis apresentaram queda em maio. O diesel recuou 2,34% e a gasolina caiu 1,46%, após fortes aumentos registrados nos meses anteriores.

Outro fator de alívio foi a desaceleração dos preços dos produtos farmacêuticos. A alta desse grupo caiu de 1,77% em abril para 0,35% em maio.

 

Inflação acumulada é maior entre os mais pobres em 2026

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as famílias de renda muito baixa registram inflação de 3,46%, a maior entre todas as faixas pesquisadas pelo Ipea.

Já o grupo de renda alta acumula alta de 2,83%, sendo o único com inflação abaixo de 3% no período. Segundo o instituto, esse resultado foi influenciado pela redução dos preços de passagens aéreas e dos serviços de transporte por aplicativo.

 

Cenário muda no acumulado de 12 meses

Quando o período analisado é ampliado para os últimos 12 meses, o quadro se inverte.

As famílias de renda alta apresentam a maior inflação acumulada, com variação de 5,26%, enquanto as famílias de renda muito baixa registram a menor taxa, de 4,29%.

Segundo o Ipea, esse comportamento reflete a desaceleração dos preços dos alimentos observada no segundo semestre do ano passado, fator que beneficiou especialmente as famílias de menor renda.

 

El Niño pode pressionar preços no segundo semestre

O cenário inflacionário para os próximos meses ainda inspira atenção. Especialistas acompanham os efeitos do fenômeno climático El Niño, que pode alterar o regime de chuvas em diversas regiões do país.

Caso o fenômeno se confirme com forte intensidade, há risco de impactos sobre a produção agropecuária, o que pode provocar novos aumentos nos preços dos alimentos.

Tradicionalmente, o El Niño favorece períodos de seca nas regiões Norte e Nordeste e aumenta a ocorrência de chuvas intensas na Região Sul, fatores que podem afetar a oferta de produtos agrícolas e pressionar a inflação nos próximos meses.

Com informações do FolhaPress – Leonardo Vieceli

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