Os seis policiais militares que presenciaram o assassinato de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto Rocha, ocorrido em abril deste ano no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, voltaram a exercer atividades na corporação. Os militares estavam afastados desde o crime e tiveram os portes de armas funcional e particular suspensos. Apesar do retorno, eles permanecem em funções administrativas, sem atuação nas ruas.
Inquérito foi concluído pela PM
Segundo a Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), o inquérito instaurado para apurar a conduta dos agentes foi finalizado. A investigação apontou indícios de crime militar e de transgressão disciplinar envolvendo três dos policiais investigados. Em relação aos demais militares, não foram identificadas irregularidades ou práticas ilegais.
Em nota, a corporação informou que o procedimento seguirá para análise da Justiça Militar e também será encaminhado à Corregedoria para avaliação de possíveis medidas administrativas.
“O referido Inquérito será encaminhado à Justiça Militar, ficando à disposição do Ministério Público e do Exmo. Juiz de Direito da Justiça Militar. Paralelamente, os autos serão remetidos ao setor responsável pelos processos disciplinares da Corregedoria para análise das medidas administrativas cabíveis”, informou a PM.
Justiça mantém policiais fora das ruas
A Polícia Militar informou ainda que, após a conclusão do inquérito, solicitou ao juiz responsável pela investigação a retirada das restrições impostas aos militares. No entanto, após manifestação do Ministério Público, o magistrado decidiu manter o afastamento das atividades operacionais.
Com isso, embora tenham retornado ao trabalho, os seis policiais continuam impedidos de atuar no policiamento ostensivo e seguem desempenhando apenas funções administrativas até nova decisão judicial.
O crime
As vítimas, Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto Rocha, morreram após serem baleadas no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, no dia 08 de abril deste ano. O autor dos disparos é um policial lotado na 1ª Companhia da Polícia Militar do 7º Batalhão, vizinho das vítimas.
Na época, relatos iniciais indicavam que o policial foi até o imóvel após ser chamado pela ex-companheira, que alegou ter sido agredida pelas vítimas. Ele estava de serviço e chegou ao bairro uniformizado, em uma viatura, acompanhado de outros policiais. No local, houve uma confusão, e o agente atirou contra as duas mulheres.
Imagens de videomonitoramento mostram toda a ação do autor dos tiros e dos policiais que presenciaram a cena. Nas imagens, é possível ver quando uma das vítimas caminha pela calçada e é alvejada pelo policial, que se aproxima e atira várias vezes. Em seguida, a outra mulher tenta fugir, mas é perseguida e também atingida por disparos.
Seis dias depois, em uma decisão anunciada pelo governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), os policiais que presenciaram a morte das duas mulheres foram suspensos das funções e tiveram as armas recolhidas. Um pouco mais de dois meses depois, os militares estão de volta às atividades administrativas na segurança do Estado.










