Espírito Santo responde por 18% das operações offshore em levantamento inédito da aviação do petróleo

O transporte aéreo de trabalhadores da indústria de petróleo e gás na costa brasileira cresceu 21,2% entre 2022 e 2024, impulsionado pela expansão das atividades offshore no Sul e Sudeste do país. Nesse cenário, o Espírito Santo aparece como um dos principais polos da cadeia petrolífera nacional, concentrando 18% de toda a movimentação monitorada no período.

Os dados fazem parte de um levantamento inédito do Programa Macrorregional de Caracterização do Tráfego de Aeronaves (PMCTA), condicionante do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de responsabilidade da Petrobras.

Entre 2022 e 2024, as operações de suporte offshore movimentaram 2,58 milhões de passageiros e realizaram 137.209 voos nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Somente em 2024, foram registrados 939.889 passageiros, ante 775 mil em 2022.

Espírito Santo ganha relevância na logística do petróleo

O levantamento reforça a importância do Espírito Santo na logística aérea que atende plataformas e unidades marítimas de exploração e produção de petróleo. As operações associadas ao estado responderam por 18% do fluxo total de passageiros monitorado pelo estudo, consolidando o território capixaba como um dos principais eixos de suporte à atividade offshore no país.

O crescimento da produção de petróleo e gás na costa capixaba e a proximidade com áreas estratégicas de exploração ajudam a explicar a relevância do estado na movimentação de trabalhadores embarcados.

Rio de Janeiro concentra maior parte dos voos offshore

Apesar do avanço de outros polos, o Rio de Janeiro segue como o principal centro logístico da aviação offshore brasileira. Segundo o estudo, o estado concentrou 92,2% dos voos de suporte realizados no triênio.

Os municípios de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Cabo Frio, Macaé e Maricá lideram as operações, impulsionados principalmente pelas atividades nas bacias de Campos e Santos, duas das mais importantes províncias petrolíferas do Brasil.

Bacia de Campos lidera movimentação de passageiros

A Bacia de Campos ocupa a primeira posição no ranking nacional de transporte aéreo offshore. Entre 2022 e 2024, a região respondeu por 44,6% dos passageiros transportados, o equivalente a cerca de 1,15 milhão de pessoas.

Na sequência aparece a Bacia de Santos, responsável por 37,4% da movimentação registrada no período.

Quatro aeroportos concentram quase 90% do movimento

A infraestrutura aérea utilizada pela indústria do petróleo também apresenta forte concentração. Apenas quatro aeroportos responderam por 88% de toda a movimentação de passageiros registrada pelo PMCTA entre 2022 e 2024.

O Heliporto Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes (RJ), manteve a liderança nacional. Somente em 2024, o terminal movimentou 380.743 passageiros. No acumulado do triênio, foram cerca de 980 mil embarques e desembarques, o equivalente a 38% de toda a movimentação aérea do setor.

Maricá registra crescimento de quase 400%

Outro destaque do levantamento foi o desempenho do Aeroporto de Maricá, no Rio de Janeiro. O terminal registrou crescimento de 396% no número anual de passageiros transportados, passando de 14.018 em 2022 para 69.601 em 2024.

No acumulado dos três anos, o aeroporto movimentou aproximadamente 103 mil passageiros e se consolidou como uma das bases estratégicas para o atendimento às operações da indústria de petróleo e gás na Bacia de Santos.

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