No dia 21 de janeiro, duas datas provocam uma reflexão necessária e urgente: o Dia Mundial da Religião e o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Em um país plural como o Brasil, marcado por convivência entre diferentes crenças, tradições espirituais e visões de mundo, essas datas nos convidam a ir além do discurso superficial sobre tolerância e a encarar uma pergunta mais profunda, especialmente dirigida aos cristãos: à luz do Evangelho de Jesus Cristo, como devemos tratar pessoas de outras religiões?
A resposta não nasce de slogans, nem de disputas culturais, mas da própria Escritura. O Evangelho oferece princípios claros para uma fé que é convicta em sua verdade, mas humilde em sua postura; firme em sua identidade, mas amorosa em sua relação com o outro.
Dignidade e respeito: todos carregam a imagem de Deus
A Bíblia estabelece, logo no início, um fundamento inegociável para a ética cristã:
“Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26–27).
Antes de qualquer distinção religiosa, cultural ou moral, todo ser humano é portador da imagem de Deus. Isso impõe limites claros a qualquer forma de desumanização, desprezo ou violência simbólica ou física.
O pastor e teólogo reformado Tim Keller observava que o cristianismo bíblico é exclusivo em suas afirmações de verdade, mas profundamente inclusivo em sua ética. Em A Fé na Era do Ceticismo, Keller afirma que reconhecer a imagem de Deus no outro impede o cristão de tratá-lo como inimigo cultural ou ameaça existencial. Discordar não autoriza desrespeitar; crer não legitima humilhar.
Em tempos de intolerância religiosa, o cristão não pode agir movido pelo medo ou pela hostilidade, mas pela convicção de que o outro, ainda que pense diferente, possui dignidade dada pelo próprio Criador.

Amar o próximo não é opcional, nem seletivo
Jesus foi categórico:
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39).
Quando questionado sobre quem seria esse “próximo”, Jesus responde com a parábola do bom samaritano (Lc 10.25–37). A escolha do samaritano não é acidental: trata-se de alguém visto como herege e impuro pelos judeus. Ainda assim, é ele quem encarna o amor verdadeiro.
O teólogo reformado John Piper destaca que o amor cristão não depende da concordância doutrinária. Para Piper, o amor bíblico não começa com a conversão do outro, mas com o reconhecimento da sua humanidade e da sua necessidade. O cristão ama porque foi amado primeiro, e não como estratégia de convencimento.
Qualquer relação com pessoas de outras religiões que seja marcada por desprezo, ironia ou hostilidade trai o coração do Evangelho. Amar o próximo não é um método; é um mandamento.
Mansidão e respeito no testemunho cristão
O apóstolo Pedro orienta:
“Estejam sempre preparados para responder a todo aquele que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês, contudo, façam isso com mansidão e respeito” (1Pe 3.15).
A defesa da fé cristã nunca foi autorizada a ser agressiva. Verdade sem amor se transforma em arma; convicção sem mansidão vira arrogância.
Kevin DeYoung alerta que, especialmente nas redes sociais, muitos cristãos confundem coragem doutrinária com beligerância cultural. Para ele, a mansidão não revela insegurança, mas confiança na soberania de Deus. Quem confia na verdade do Evangelho não precisa gritar, humilhar ou atacar.
Em um cenário de polarização religiosa, a forma como o cristão fala comunica tanto quanto aquilo que ele diz. Defender a verdade sem respeito é negar o Cristo que é a própria Verdade.

Nenhuma coerção, nenhuma violência em nome da fé
Jesus declarou diante de Pilatos:
“O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18.36).
E o profeta Zacarias já havia anunciado:
“Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zc 4.6).
O Reino de Deus não avança por imposição política, coerção cultural ou violência religiosa. Sempre que a fé cristã recorre à força, ela deixa de ser testemunho e se torna ideologia.
O teólogo reformado Michael Horton é direto ao afirmar que a igreja é chamada a persuadir pela Palavra e pelo exemplo, não a dominar pelo poder. Qualquer tentativa de impor a fé contradiz o próprio Cristo, que rejeitou o caminho da violência e do domínio.
Por isso, ataques a terreiros, sinagogas, mesquitas ou a qualquer espaço religioso não podem ser relativizados. Intolerância religiosa é pecado, ainda que seja praticada em nome de uma suposta defesa da fé cristã. Além disso, é crime.

Convivência pacífica como expressão do Evangelho
O apóstolo Paulo escreve a uma igreja minoritária e pressionada:
“Se possível, no que depender de vocês, vivam em paz com todos” (Rm 12.18).
Viver em paz não é abrir mão da identidade cristã, mas demonstrar maturidade espiritual. O teólogo Miroslav Volf descreve essa postura como um “abraço sem absorção”: convivência real, sem sincretismo, mas também sem hostilidade.
O cristão é chamado a conviver com o diferente sem medo, sem paranoia cultural e sem ódio. Em um mundo marcado pela intolerância, a fé cristã é chamada a ser sinal de reconciliação.
Uma fé pública que reflete o Reino
À luz do Evangelho, os cristãos não são chamados a vencer guerras religiosas, mas a encarnar o Reino de Deus. Em um tempo em que a intolerância cresce e o discurso se radicaliza, talvez o testemunho mais fiel não seja o mais barulhento, mas o mais parecido com Cristo.
Celebrar o Dia Mundial da Religião e o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é mais do que reconhecer a diversidade: é reafirmar que a fé cristã, quando verdadeiramente enraizada no Evangelho, não gera medo do outro, mas compromisso com a dignidade humana, o amor ao próximo e a paz.












ALGUÉM PODE EXPLICAR?
NO DIA 17 DE OUTUBRO DE 2025, LEMOS AQUI O TEXTO
Família tradicional na Bíblia: uma resposta a Flávio Dino.
HOJE, PUBLICAM ESSE TEXTO.
ALGUÉM PODE EXPLICAR?
OBRIGADO.
Kkkkk também não entendi
EvanJEGUE pede respeito à religião?
Pior é você, que espera coerência de crente.