Representantes do setor brasileiro de rochas naturais, liderados pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), participaram nesta sexta-feira (1º) de uma agenda oficial na Embaixada do Brasil em Washington. O encontro marcou a entrega simbólica de uma carta conjunta à National Association of Home Builders (NAHB) e ao Natural Stone Institute (NSI), reforçando o pedido de ampliação da lista de produtos brasileiros isentos da tarifa adicional de 40% imposta pelos Estados Unidos.
A iniciativa é mais um passo nas articulações conduzidas pela Centrorochas desde o anúncio da medida tarifária, em 9 de julho. O setor obteve recentemente uma vitória parcial com a isenção da tarifa para o código HTSUS 6802.99.00, que abrange o quartzito – principal produto exportado pelo Brasil e responsável por cerca de 50% das vendas para o mercado norte-americano em 2024.
Apesar do avanço, a associação segue mobilizada. “A carta reforça a importância de ampliar a lista de isenções para incluir materiais como mármore, granito e ardósia, todos amplamente utilizados pela indústria americana e sem alternativas viáveis na produção doméstica dos EUA”, destacou Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas.
Riscos ao mercado americano
A medida tarifária tem gerado preocupação também entre os agentes do mercado norte-americano. De acordo com dados preliminares da NAHB, a manutenção da tarifa pode elevar em mais de US$ 10.900 o custo médio de construção de novas residências no país. O impacto é ainda mais relevante considerando que cerca de 7% de todos os materiais utilizados em construções residenciais em 2024 são de origem estrangeira.
Além disso, o setor da construção civil nos EUA já enfrenta um cenário de pressão de custos: o preço dos materiais subiu 41,6% desde a pandemia, enquanto a inflação acumulada no mesmo período foi de 21,9%. A continuidade das tarifas ameaça aprofundar esse quadro, afetando cadeias de suprimento e encarecendo ainda mais a moradia para as famílias americanas.
Segundo estimativas da NAHB, mais de 200 mil empregos nos Estados Unidos, distribuídos entre fabricantes, distribuidores e instaladores de pedras naturais, podem ser impactados diretamente.
Aliança institucional e defesa do comércio bilateral
A cerimônia de entrega da carta contou com a presença de empresários brasileiros, autoridades locais, parceiros institucionais e o presidente da Anfacer, Maurício Borges. Na ocasião, foi ressaltado o impacto negativo que a tarifa pode ter sobre o setor da construção nos EUA e a importância de preservar o fluxo comercial entre os dois países.
Com a assinatura conjunta do documento por Centrorochas, NAHB e NSI, a expectativa é sensibilizar o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para reconsiderar a medida e manter a competitividade do setor, evitando prejuízos a empregos, contratos e investimentos em ambas as nações.
Atuação internacional
Reconhecida como a principal entidade representativa do setor exportador de rochas naturais do Brasil, a Centrorochas reúne mais de 230 empresas associadas e atua de forma estratégica junto a entidades internacionais como NSI (EUA), Confindustria Marmomacchine (Itália), Assimagra (Portugal) e IMMIB (Turquia). Também lidera o programa de promoção internacional “It’s Natural – Brazilian Natural Stone”, realizado em parceria com a ApexBrasil.










