Um novo aumento nos pedidos de recuperação judicial (RJ) no Brasil é esperado para 2025. O cenário econômico, com juros altos e dificuldade de acesso a crédito, está pressionando empresas de setores-chave como a indústria e o agronegócio. A previsão é do advogado Felipe Finamore Simoni, especialista em Direito Empresarial, membro da Comissão Nacional Especial de Recuperação Judicial da OAB.
De acordo com Finamore, a taxa Selic em 15% ao ano eleva o custo financeiro das empresas e dificulta o consumo, aumentando a inadimplência. Esse ambiente leva muitas companhias a buscar a recuperação judicial como forma de se reestruturar e manter suas atividades.
Por que a recuperação judicial está crescendo?
O advogado aponta dois motivos principais para esse aumento projetado:
- Esgotamento de alternativas informais: Após anos de negociações extrajudiciais que não se sustentaram, a recuperação judicial se tornou uma solução mais formal e estruturada.
- Mudança de percepção: A RJ não é mais vista como sinônimo de falência, mas sim como uma ferramenta eficiente para que empresas viáveis superem crises.
Como a lei ajuda as empresas?
A Lei nº 11.101/2005, com as atualizações da Lei nº 14.112/2020, tornou o processo de recuperação judicial mais funcional. Agora, existem mecanismos que ajudam as empresas a se reerguerem, como:
- Financiamento durante o processo (DIP Financing): Permite que as empresas obtenham crédito para manterem suas operações.
- Transações com a Fazenda Pública: Oferece a possibilidade de renegociar dívidas fiscais.
- Maior flexibilidade contratual: Ajuda a adaptar contratos para a nova realidade da empresa.
Finamore reforça que empresas que planejam bem e buscam suporte jurídico têm mais chances de preservar empregos, manter a operação e recuperar a confiança do mercado. A recuperação judicial, nesse contexto, é uma estratégia legítima para a continuidade dos negócios.










