Trechos da BR 101 no Espírito Santo entre os mais perigosos do Brasil

Redação Multimídia ESHOJE

{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.eshoje.jor.br/_midias/jpg/2015/07/08/70x70/1_acidente_aracruz_prf2-133894.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'559d6ae92e525', 'cd_midia':133894, 'ds_midia_link': 'http://www.eshoje.jor.br/_midias/jpg/2015/07/08/acidente_aracruz_prf2-133894.jpg', 'ds_midia': '.', 'ds_midia_credi': 'PRF/Divulgação', 'ds_midia_titlo': '.', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '239', 'cd_midia_h': '286', 'align': 'Left'}Os acidentes de transporte terrestre no Brasil matam aproximadamente 43 mil pessoas por ano. Segundo os dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), do Ministério da Saúde (MS), representa uma das principais causas de morte no país. Os acidentes nas rodovias federais respondem por cerca de 20% dessas mortes (8.227 mortes em 2014), com cerca de 26 mil feridos graves por ano, com fortes impactos sobre o orçamento público e a renda das famílias atingidas.
Comparando o percentual das rodovias fiscalizadas pela PRF por estado em relação ao total de rodovias federais do país e os percentuais de acidentes e mortos em relação ao total brasileiro, o Espírito Santo lidera o ranking. O estado capixaba é seguido por Minas Gerais, do Paraná, do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e de São Paulo, que apresentam os maiores problemas em relação à ocorrência de acidentes de trânsito.
O ES tem 818,1 quilômetros de rodovias federais, e registrou, em todo o ano passado, 7,8 mil acidentes com 278 mortes. É no território capixaba que fica o trecho considerado mais crítico do Brasil: BR 101 no município da Serra entre os quilômetros 260 e 270. Neste espaço foram registrados 877 acidentes com 11 mortes.
Outros trechos no Estado estão na lista dos mais perigosos nas 4ª, 5ª e 17ª posições: BR 101 em Linhares, 262 em Cariacica e 101 em São Mateus respectivamente. Já quando se fala em acidentes envolvendo caminhões e outros veículos pesados, em relação ao resto do país, o Espírito Santo ocupa a quarta posição, com mais de 3,4 mil acidentes e mais de duas mil mortes.
A situação dos acidentes de trânsito tende a se agravar ainda mais neste contexto de franca expansão da frota de veículos automotores que o país está vivendo desde o final do século passado. Destacam-se, nessa expansão da frota de veículos automotores, as vendas de motocicletas, que, por características intrínsecas, apresentam baixas condições de proteção aos usuários em caso de colisão e queda. Isso proporciona alto grau de severidade aos acidentes que envolvem esse tipo de veículo, aumentando as estatísticas de mortes e feridos graves.
Desde 2003, a frota nacional aumentou 136,5%; a de automóveis, 102,6%; e a de motocicletas, 269,8%, principalmente no Nordeste brasileiro (incremento de 414%), aumentando os conflitos nas ruas e rodovias e consequentemente a quantidade de vítimas de trânsito.
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Em 2014 ocorreram 169.163 acidentes nas estradas federais fiscalizadas pela PRF, sendo que 8.227 pessoas perderam a vida e cerca de 100 mil ficaram feridos. Pouco mais de um quarto dos feridos teve lesões graves. Nesse ano, 4% dos acidentes apresentaram vítimas fatais; 37%, vítimas feridas; e 59% foram acidentes sem vítimas. Aproximadamente 67% dos acidentes com vítimas fatais ocorreram em zonas rurais, e 23% das mortes foram causadas por excesso de velocidade ou ultrapassagem indevida.
Nesse mesmo ano, ocorreram em média 463 acidentes e houve 23 mortos por dia. Esses acidentes envolveram 301.351 veículos, uma média de 1,78 veículos por ocorrência. O estado de Minas Gerais foi o que apresentou o maior número de acidentes e mortos, enquanto o estado do Amazonas, o menor.
A proporção de acidentes e mortes nesses estados é muito maior do que a proporção de rodovias que possuem, indicando uma concentração desses eventos nesses estados. Como se tratam dos estados com maior produto interno bruto (PIB), localizados no Sul e Sudeste, regiões que concentram a maior parte das riquezas do país, há também a maior geração de viagens e a maior quantidade de veículos motorizados, o que vem refletir no volume de tráfego e de acidentes. As maiores diferenças relativas em pontos percentuais (p.p.) em relação à proporção de rodovias e acidentes/mortes são encontradas nos estados do Rio de Janeiro e de Santa Catarina, com valores superiores a 7 p.p. O estado do Rio de Janeiro, por exemplo, possui apenas 2,2% das rodovias federais brasileiras, mas responde por mais de 9% dos acidentes nessas rodovias e quase 7% de todas as mortes do país.
Focando os dois principais tipos de acidente que geram mais óbitos, pode-se traçar um perfil dessas ocorrências: 89,71% das colisões frontais ocorreram em pistas simples, ocasionando 93,91% dos mortos nesse tipo de acidente; e 71,73% dos atropelamentos de pessoas ocorreram em trechos urbanos, ocasionando 58,47% dos mortos. O período de plena noite concentrou 63,12% das mortes por esse tipo de acidente.
Quando se analisa a principal causa do acidente registrada pela PRF (gráfico 3), verifica-se que a falta de atenção se destaca nos acidentes em geral, com 32,6% dos casos, e no caso dos acidentes com mortes, 20,3%. Velocidade incompatível (13,1%), ultrapassagem indevida (7,8%) e ingestão de álcool (6,5%) também são causas muito frequentes nos acidentes com morte, o que mostra a necessidade de intensificar as campanhas educativas focadas no comportamento defensivo e na obediência às regras de trânsito por parte dos motoristas para se evitarem acidentes de trânsito. No caso da falta de atenção, é importante conscientizar os motoristas acerca dos perigos, como uso do celular e manuseio de equipamentos de áudio e vídeo durante a direção.
Fazendo uma análise pela localização dos acidentes graves,3 observa-se que das 136 ro-dovias fiscalizadas pela PRF, houve ocorrência em 109 no ano de 2014. Ao verificar os vinte trechos de 10 km mais críticos em acidentes graves, observa-se que em 0,27% da malha fiscalizada ocorreram 6,74% dos acidentes, 1,85% dos mortos e 5,45% dos acidentes graves. Destaca-se negativamente a BR-101 nos trechos localizados principalmente no estado do Espírito Santo. O trecho de 10 km com maior número de mortes foi o da BR-116 no município de Fortaleza/CE.
CUSTOS DOS ACIDENTES NAS VIAS
Além dos traumas causados às vítimas e aos familiares não passíveis de mensuração monetária, os acidentes de trânsito representam altos custos para toda a sociedade. É importante que os dirigentes públicos conheçam a estrutura e os processos de formação desses custos para que intensifiquem políticas adequadas de redução dos acidentes e de mitigação dos impactos negativos desses eventos sobre a sociedade.
Com base na metodologia desenvolvida anteriormente por Ipea, ANTP e Denatran, foram atualizados os cálculos de custos dos acidentes de trânsito nas rodovias federais apresentados adiante. Para fazer a análise das evoluções dos custos, aplicou-se a mesma metodologia para a base de acidentes nos anos de 2007, 2010 e 2014, considerando a mesma base monetária (dez./2014). Além disso, aplicou-se uma metodologia simplificada de atualização monetária dos custos dos acidentes em rodovias estaduais e municipais a título de se obter uma dimensão aproximada dos custos totais dos acidentes nas rodovias brasileiras.

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