Mulher denuncia: não me deixaram fazer cesárea e perdi meu filho

O casal Isabelly (18) e Israel França (21), moradores de Aracruz, usaram as redes sociais para denunciar atendimento no Hospital São Camilo que, segundo eles, provocou a morte do filho, o pequeno Heitor, logo após o nascimento. “Só quero justiça pelo meu filho, isso foi muita crueldade, uma dor de inconformação, só vou ter paz no meu coração quando fizer justiça pelo meu príncipe”, publicou ela.

Segundo relatado pela puérpera, a gestação foi tranquila e o bebê esteve saudável em todo período até que em 27 de dezembro, após a última consulta de pré-natal, devido a criança estar pensando cerca de 4 quilos, ela pegou o encaminhamento de parto e foi até o São Camilo, em busca de uma cesariana.

Mulher denuncia: não me deixaram fazer cesárea e perdi meu filho“Chegando lá fui atendida, mostrei o encaminhamento e resolveram me “avaliar”. Fizeram um toque e eu estava com 2cm de dilatação e me mandatam embora”, relatou Isabelly.

Ela revelou que próximo a 1 hora da madrugada do dia 28, com dores, voltou ao hospital e após nova avaliação constatou-se que ela tinha chegado a 5 cm de dilatação e por isso a internaram. “Resolveram me internar afirmando que teria passagem para meu bebê, pois estava dilatando e meu parto seria normal e assim fui a madrugada inteira, cheia de contrações. Às 4:30 eu já não suportava a dor e estava apenas com 6cm e pedi para meu esposo ir atrás de analgesia, pois um demora horas para dilatar 1cm, eles me negaram. Resisti mais um pouco e as 6horas implorei pela cesárea, pois meu parto não andava, e me negaram”, complementou.

Segundo a mãe, ela foi submetida a sucção à vácuo – também conhecida como extração a vácuo, é uma técnica obstétrica que utiliza uma ventosa para auxiliar na saída do bebê durante o parto. Esse método é uma opção e a cesariana outra.

“Realizaram ele três vezes em mim e a todo momento perguntava se iria me machucar e machucar meu filho, e me respondiam que não e que era para abrir, ajudar ele descer”, detalhou.

Só na terceira tentativa Heitor desceu, mas após isso a levaram para a cesariana, quando de fato a criança nasceu. Isabelly disse que o menino ficou com hematomas, e seguida pediram adrenalina. “Eu ouvi muita movimentação e pedindo adrenalina, na qual aplicaram três no meu filho e eu ainda na maca só sabia fechar os olhos e começar a orar disparadamente, pedindo pela vida do meu filho. Tiraram meu marido, que era meu acompanhante da sala e e fizeram massagem cardíaca”, afirmou em relato de parto emocionante muito comentado nas redes sociais.

Na certidão de óbito a causa foi hemorragia intracerebral, traumatismo cranioendefálico. “Eu só quero justiça pela vida do meu filho. Meu filho era uma criança extremamente saudável a gravidez toda, um menino esperto. Nós esperávamos ansiosos pela chegada dele, tudo planejado do bom e do melhor e eu só tive meu filho vivo por 35 minutos”, descreve a mãe sem a criança nos braços.

Mulher denuncia: não me deixaram fazer cesárea e perdi meu filhoO pai de Heitor, Israel desabafou: “Nosso Deus é justo prevalece sempre, filho. O que fizeram com você não tem perdão a justiça demora mas vem. Seu pai está correndo atrás da sua justiça, Deus não falha”.

O jovem informou à reportagem que a família fez, em Vitória, um boletim de ocorrência e que está tomando todas as providências. “Esse era o nosso primeiro filho”, lamentou o pai de Heitor.

O outro lado

Por nota o hospital lamentou a morte e disse que está investigando o caso. “Em nome do Hospital São Camilo, manifestamos nossa mais profunda solidariedade e respeito à família do bebê Heitor, que veio a óbito em nosso hospital, no dia 28 de dezembro de 2024. Reiteramos nosso compromisso com a transparência e a ética no cuidado prestado a nossos pacientes.

A mãe do bebê foi admitida em trabalho de parto e, durante todo o processo, nossa equipe seguiu protocolos clínicos baseados nas melhores práticas da literatura médica, com o objetivo de garantir a segurança da mãe e do bebê.

Após algumas horas de evolução no trabalho de parto, utilizando todos os recursos necessários e prerrogativas para o parto normal, a equipe observou a necessidade de intervenção e decidiu realizar uma cesariana. Infelizmente, apesar de todos os esforços realizados, o desfecho foi o que todos não desejavam: o falecimento do bebê.

Entendemos o impacto emocional e a dor enfrentados pela família e nos colocamos à disposição para prestar os esclarecimentos necessários sobre os procedimentos realizados. O caso está sendo analisado com a devida seriedade, e estamos aqui para garantir que todos os aspectos sejam avaliados com transparência.

Mais uma vez, lamentamos profundamente o ocorrido e reafirmamos nosso compromisso com a segurança, o acolhimento e o respeito em todas as etapas do cuidado prestado. Com respeito e solidariedade, Hospital São Camilo”.

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